Guerra EUA-Irã pode ser retomada, alerta comando iraniano
A possibilidade de retomada da guerra deriva da rejeição da proposta de paz do Irã
247 - A Guerra dos EUA contra o Irã pode ser retomada após Trump rejeitar a proposta de paz de Teerã, em meio à escalada de tensão no Estreito de Ormuz.
Segundo reportagem da Al Jazeera assinada por Lorraine Mallinder e Mariamne Everett, militares iranianos afirmaram que a retomada do conflito é “provável” e que as forças do país estão prontas para responder a qualquer nova ação americana.Ainda de acordo com a Al Jazeera, o alerta iraniano ocorre depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar insatisfação com a mais recente proposta de paz apresentada por Teerã. O republicano disse que o plano inclui exigências com as quais ele “não pode concordar”, elevando a incerteza sobre a continuidade do cessar-fogo e das negociações mediadas pelo Paquistão.
O impasse ganhou força após a entrega de uma nova proposta iraniana a mediadores paquistaneses. O conteúdo integral do documento não foi divulgado, mas Trump afirmou publicamente que não ficou satisfeito com os termos. “Eles querem fazer um acordo, eu não estou satisfeito com isso, então veremos o que acontece”, disse o presidente americano. Em outra declaração, afirmou: “Eles estão pedindo coisas com as quais não posso concordar”.
As negociações para encerrar a guerra seguem travadas há semanas. As conversas realizadas em Islamabad, iniciadas em 11 de abril e prolongadas por mais de 21 horas, não produziram sequer uma estrutura básica para a continuidade do diálogo. O cessar-fogo está em vigor desde 8 de abril, após os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro.
Um dos pontos centrais da crise é o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto dos carregamentos marítimos globais de petróleo e gás natural liquefeito. Washington acusa Teerã de usar sua influência sobre a passagem como instrumento de pressão, enquanto o Irã cobra o fim do bloqueio naval americano a seus portos.
A tensão também envolve sanções. Os Estados Unidos alertaram que navios que pagarem pedágios, taxas ou contribuições ao Irã para atravessar o Estreito de Hormuz poderão ser alvo de punições. O comunicado americano menciona riscos inclusive para pagamentos indiretos, em moedas tradicionais, ativos digitais ou doações apresentadas como ajuda humanitária.
No campo diplomático, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que Teerã segue aberto ao diálogo, desde que Washington mude o que classificou como “retórica ameaçadora” e “abordagem expansionista”. Já Trump insiste que qualquer acordo precisa garantir que o Irã não busque uma arma nuclear, enquanto Teerã afirma que seu programa nuclear tem finalidade civil.
A Al Jazeera também informou que o cenário militar continua instável em outras frentes regionais. No sul do Líbano, ataques israelenses deixaram mortos, enquanto imagens registradas em Habboush, vistas a partir de Nabatieh, mostraram fumaça subindo após bombardeios em 1º de maio. O episódio reforça o risco de o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã continuar alimentando choques paralelos em países vizinhos.
Além da pressão militar, a guerra ampliou seus efeitos políticos dentro dos Estados Unidos. Levantamento citado pela Al Jazeera aponta que 61% dos americanos consideram que o uso da força militar contra o Irã foi um erro. O dado aparece no momento em que Trump enfrenta questionamentos no Congresso sobre a autorização legal para manter operações militares por tanto tempo.
No balanço mais recente apresentado pela cobertura internacional, a trégua reduziu temporariamente a intensidade dos combates, mas não eliminou os fatores que levaram à escalada. A rejeição da proposta iraniana por Trump, o bloqueio no Estreito de Ormuz, as sanções americanas e o discurso de prontidão militar de Teerã mantêm a região sob risco de nova ruptura do cessar-fogo.


