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Guerra de Trump no Irã atinge rejeição histórica nos EUA

Guerra de Trump no Irã é vista como erro por 61% dos americanos e chega a nível de reprovação comparado a Iraque e Vietnã

Donald Trump (Foto: Reuters)

247 - A guerra de Trump no Irã é vista como erro por 61% dos americanos e chegou a um nível de reprovação comparado ao registrado nos conflitos do Iraque e do Vietnã, segundo pesquisa Washington Post-ABC News-Ipsos.

O levantamento aumenta a pressão política sobre Donald Trump, em meio ao desgaste provocado pela campanha militar, pelos impactos econômicos e pelo temor de novos riscos à segurança dos americanos.

De acordo com o Washington Post, a maioria dos entrevistados considera que o uso de força militar contra o Irã foi uma decisão equivocada. A pesquisa também mostra que menos de dois em cada dez americanos avaliam que as ações dos Estados Unidos no Irã foram bem-sucedidas; cerca de quatro em cada dez dizem que elas fracassaram, enquanto parcela semelhante afirma que ainda é cedo para avaliar o resultado.O dado coloca a guerra no centro de uma crise de opinião pública para Trump. A desaprovação atual se aproxima de patamares associados a duas das guerras mais controversas da história americana recente. Segundo comparações citadas pelo Washington Post, 59% dos americanos classificavam a Guerra do Iraque como erro em meados de 2006, durante um dos períodos mais violentos do conflito. Já no início dos anos 1970, percentual semelhante dizia o mesmo sobre a Guerra do Vietnã.

A comparação histórica ganha peso porque a guerra no Irã alcançou esse nível de rejeição em prazo muito menor. A ofensiva começou em 28 de fevereiro de 2026, com ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. No caso do Iraque e do Vietnã, a erosão da opinião pública ocorreu após anos de combate, altas baixas militares e crescente sensação de impasse estratégico.

Apesar da reprovação nacional, Trump ainda mantém apoio expressivo entre republicanos. A pesquisa aponta que 79% dos eleitores que se identificam com o Partido Republicano avaliam que a decisão de usar força militar contra o Irã foi correta. Entre independentes que tendem ao Partido Republicano, o cenário é mais dividido: 52% consideram a ação acertada, enquanto 46% a classificam como erro.

O levantamento também revela um país dividido sobre os próximos passos. Segundo a Ipsos, 48% dos americanos defendem que os Estados Unidos façam um acordo de paz com o Irã mesmo que o resultado seja menos favorável a Washington. Outros 46% preferem pressionar Teerã por condições melhores, ainda que isso implique retomar ações militares.

A desconfiança em relação ao objetivo central da guerra também é majoritária. A pesquisa mostra que 65% dos entrevistados não estão confiantes de que um acordo para encerrar o conflito seja capaz de impedir o Irã de desenvolver armas nucleares. O governo Trump tem justificado a ofensiva justamente como uma medida para impedir que Teerã avance em seu programa nuclear.

Trump, por sua vez, tem defendido publicamente a estratégia. Em declaração citada pelo Washington Post, o presidente afirmou: “Eles não podem ser nucleares”. Ele também disse que o Irã estaria interessado em um acordo, mas descartou naquele momento negociações presenciais diretas, enquanto a guerra permanecia em pausa indefinida.

O custo econômico do conflito aparece como um dos principais fatores de desgaste. Segundo a pesquisa, 60% dos americanos afirmam que a ação militar dos Estados Unidos aumentou o risco de recessão. Mais de quatro em cada dez entrevistados dizem que os preços da gasolina os levaram a dirigir menos e a cortar despesas domésticas; mais de três em cada dez relatam mudanças em planos de viagem ou férias.

O cenário também afeta a percepção sobre a situação financeira das famílias. Desde fevereiro, segundo os dados citados pelo Washington Post, cresceu de 17% para 23% a parcela de americanos que dizem estar “ficando para trás” financeiramente. A fatia dos que afirmam estar em pior situação do que quando Trump assumiu o atual mandato subiu de 33% para 40%.

Além da economia, a segurança nacional pesa na avaliação pública. A pesquisa aponta que 61% dos americanos acreditam que a ação militar no Irã elevou o risco de terrorismo contra cidadãos dos Estados Unidos. Outros 56% dizem que a ofensiva aumentou o risco de enfraquecer as relações com aliados americanos.

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