Guerra dos EUA e Israel contra o Irã prossegue com escalada de ataques
Apesar das propostas de Trump por negociações, EUA e Israel não cessam a ofensiva militar
247 - A guerra dos Estados Unidos e Israel entrou no segundo mês com uma escalada significativa das operações militares e crescente preocupação internacional diante do risco de ampliação do conflito no Oriente Médio. O cenário combina ataques em múltiplas frentes, envolvimento de novos atores armados e impactos diretos na economia global, especialmente no setor energético.
De acordo com a rede Al Jazeera, há uma intensificação simultânea das ações militares e das tentativas diplomáticas para frear a crise, com reuniões internacionais em andamento e alertas sobre a deterioração da segurança regional.
Bombardeios atingem áreas civis
No Irã, ataques coordenados por Estados Unidos e Israel atingiram diferentes regiões, incluindo áreas residenciais. Explosões foram registradas em Teerã na manhã de domingo, com relatos de mortos e feridos. Em um vilarejo próximo à cidade de Shaft, duas pessoas morreram e cinco ficaram feridas após bombardeios em uma área habitada.
Outros ataques atingiram bairros da capital iraniana, como Saadat Abad, no norte, além de regiões no oeste de Teerã, deixando diversos feridos. Em episódios anteriores, uma família de quatro pessoas morreu na província de Bushehr, enquanto uma estação de tratamento de água foi atingida na província de Khuzistão, evidenciando o impacto direto sobre infraestrutura civil.
O governo iraniano também denunciou um ataque contra a residência do presidente da região curda do Iraque, classificando a ação como parte de um padrão de “assassinatos covardes” promovidos por Washington e Tel Aviv.
Resposta iraniana
Em retaliação, forças iranianas afirmaram ter realizado operações contra alvos estratégicos israelenses e ligados aos Estados Unidos. Segundo a mídia estatal, foram utilizados mísseis de diferentes alcances e drones para atingir instalações industriais e militares.
Entre os alvos citados estão um centro de guerra eletrônica e radar operado pela empresa israelense Elta, no complexo aeroespacial militar de Haifa, e um centro de armazenamento de combustível no aeroporto Ben Gurion. O Irã também disse ter derrubado um drone MQ-9 dos Estados Unidos e atingido um caça F-16.
Analistas citados pela Al Jazeera apontam que, após um mês de guerra, o poder militar iraniano foi subestimado por seus adversários, que inicialmente acreditavam em uma campanha rápida e decisiva.
Possibilidade de ruptura nuclear
Outro elemento que agrava a crise é a discussão interna no Irã sobre a saída do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP). Segundo relatos, políticos iranianos defendem a medida diante dos ataques a instalações nucleares civis, fábricas e universidades.
Além disso, Teerã ameaçou retaliar ataques contra universidades iranianas mirando instituições israelenses e americanas na região, ampliando o risco de novos alvos civis no conflito.
Guerra se espalha pelo Golfo
A guerra já impacta diretamente países do Golfo, ampliando sua dimensão regional. A Arábia Saudita interceptou e destruiu 10 drones, enquanto os Emirados Árabes Unidos relataram operações de defesa contra ameaças aéreas.
Em Abu Dhabi, uma instalação da Emirates Global Aluminium sofreu danos significativos após ataque iraniano, com seis trabalhadores feridos. No Bahrein, duas pessoas ficaram levemente feridas após impacto em uma planta industrial da Aluminium Bahrain.
O Irã reivindicou essas ações, afirmando que os alvos estavam ligados aos setores militar e aeroespacial dos Estados Unidos na região. No Kuwait, forças locais também interceptaram drones após o acionamento de sirenes de alerta.
Novas forças na guerra
A guerra ganha novos contornos com a entrada de novos atores. No Iêmen, os houthis lançaram mísseis balísticos contra Israel pela primeira vez desde o início do conflito. No Líbano, o Hezbollah afirmou ter atingido bases militares israelenses com mísseis e drones.
No domingo (29), o movimento da resistência libanesa declarou ataques contra a base Mahava Alon e o lançamento de drones contra a base Berea, próximas à cidade de Safad. Israel, por sua vez, confirmou a morte de um soldado em confrontos no sul do Líbano.
Na Faixa de Gaza, ataques aéreos israelenses mataram ao menos seis palestinos, incluindo uma criança, após bombardeios contra postos policiais em Khan Younis. No Iraque, ataques aéreos atingiram posições das Forças de Mobilização Popular em diferentes localidades.
Protestos e tensão social
A escalada militar também provoca reações populares em diversos países. Em Beirute, manifestantes foram às ruas após a morte de jornalistas assassinados por Israel. Em Tel Aviv, protestos contra a guerra e a violência de colonos resultaram em confrontos com a polícia.
Nos Estados Unidos, milhares de pessoas participaram de protestos em todos os 50 estados contra as políticas do presidente Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, em atos organizados sob o lema “No Kings”.
EUA reforçam presença militar
O Comando Central dos EUA (CENTCOM) confirmou o envio de cerca de 3.500 soldados adicionais ao Oriente Médio, elevando o nível de prontidão militar na região.
Segundo o jornal The Washington Post, o Pentágono avalia a possibilidade de operações terrestres no Irã nas próximas semanas. As ações poderiam envolver forças especiais e tropas convencionais, sem configurar uma invasão em larga escala. A informação, no entanto, não foi confirmada de forma independente.
Esforços diplomáticos
Em meio à escalada, esforços diplomáticos buscam conter o conflito. Ministros das Relações Exteriores do Paquistão, Turquia, Egito e Arábia Saudita participam de reuniões em Islamabad para discutir alternativas de desescalada.
As negociações ocorrem em um momento crítico, com a ampliação das frentes de combate e o risco de envolvimento de novos países.
Crise energética
A guerra já provoca efeitos significativos na economia global, especialmente no setor energético. O aumento dos preços dos combustíveis é um dos reflexos imediatos, com registros de alta no diesel e no gás liquefeito de petróleo em diversos países.
O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás mundial, permanece sob forte controle iraniano. Um acordo recente permitiu a passagem de 20 navios paquistaneses, medida considerada importante para aliviar a crise energética.
Cenário instável
Com múltiplos fronts ativos e o envolvimento crescente de potências regionais e globais, a guerra entra em sua quarta semana sem sinais concretos de desescalada.
A combinação de ofensivas militares, tensões diplomáticas e impactos econômicos reforça a gravidade do cenário, enquanto a comunidade internacional acompanha os desdobramentos com preocupação crescente.


