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'Facilitou o genocídio em Gaza. É assim que ele será lembrado', diz Jeremy Corbyn sobre Keir Starmer

Jeremy Corbyn acusa Keir Starmer de abandonar vulneráveis e facilitar o genocídio em Gaza após anúncio de renúncia do premiê britânico

Jeremy Corbyn e Keir Starmer (Foto: UK Parliament/Jessica Taylor/Handout via Reuters | Reuters/Toby Shepheard)
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247 - Jeremy Corbyn, membro do Parlamento do Reino Unido, afirmou nesta segunda-feira (22) que Keir Starmer será lembrado por ter “facilitado o genocídio em Gaza”, em uma dura reação ao anúncio de renúncia do premiê britânico, em meio ao agravamento da crise no Partido Trabalhista.

A declaração foi feita por Jeremy Corbyn em uma postagem publicada nesta segunda. O parlamentar acusou Starmer de ter desperdiçado a oportunidade de enfrentar problemas sociais profundos no Reino Unido, como a pobreza infantil, a falta de moradia e a desigualdade.

“Keir Starmer poderia ter acabado com a pobreza infantil, a falta de moradia e os níveis grotescos de desigualdade neste país. Em vez disso, ele abandonou aqueles que precisam, destruiu nossas liberdades civis e facilitou o genocídio em Gaza. É assim que este primeiro-ministro será lembrado — e essa é a herança de bancarrota moral e política que ele deixa para trás”, escreveu Corbyn.

O parlamentar também afirmou que as crises sociais britânicas permanecerão no centro da disputa política. “As crises em nossa sociedade não vão desaparecer. Nem nós — e continuaremos lutando por uma sociedade mais igualitária, pacífica e digna para todos”, declarou.

A manifestação ocorre no mesmo dia em que Starmer anunciou que deixará o cargo, pressionado pelo avanço político de Andy Burnham e por cobranças crescentes de ministros e parlamentares trabalhistas pela definição de um cronograma de saída.

A renúncia foi anunciada após um fim de semana de forte desgaste para o governo britânico. Starmer já avaliava seu futuro no domingo (21), depois que a vitória expressiva de Burnham em uma eleição para o parlamento intensificou a pressão interna no Labour.

A dimensão do resultado obtido por Burnham em uma disputa parlamentar no noroeste da Inglaterra, realizada na sexta-feira (19), alterou o equilíbrio de forças dentro do Partido Trabalhista. O triunfo fortaleceu seu nome como possível sucessor e levou dezenas de parlamentares, além de alguns ministros, a defenderem reservadamente que Starmer estabelecesse um prazo para deixar o comando do governo.

Nos últimos meses, o premiê britânico enfrentava um ambiente político cada vez mais adverso. A pressão interna aumentou à medida que aliados passaram a enxergar em Burnham uma alternativa para reorganizar o governo e reduzir o desgaste da legenda no poder.

A crise também foi marcada por tensões na relação entre Reino Unido e Estados Unidos, aliados históricos em temas estratégicos. O governo britânico não demonstrou apoio enfático à guerra no Irã e demorou a autorizar o uso de bases britânicas pelos Estados Unidos, o que irritou o presidente norte-americano, Donald Trump.

O episódio ampliou o isolamento político de Starmer em um momento no qual sua liderança já era questionada por setores do próprio Partido Trabalhista. A combinação entre pressão parlamentar, desgaste no gabinete e atritos internacionais acelerou o processo que culminou no anúncio de sua renúncia.

A saída de Starmer abre uma nova etapa de disputa no Labour e coloca Andy Burnham no centro das articulações internas para a sucessão no governo britânico, após uma vitória parlamentar que redesenhou a correlação de forças dentro da legenda.

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