Consultas entre EUA e Irã avançam com mediação do Paquistão
Troca de mensagens é intensa; problema principal é a questão nuclear
247 - As negociações entre Estados Unidos e Irã sobre o programa nuclear iraniano registram avanços com a intensificação da mediação do Paquistão, elevando expectativas de um possível acordo após semanas de conflito e tensões na região.
Segundo a Al Jazeera, autoridades paquistanesas demonstraram otimismo com a possibilidade de um “avanço importante” nas tratativas, enquanto Islamabad amplia seus esforços diplomáticos para encerrar uma guerra que já deixou milhares de mortos.
O movimento ganhou força com a chegada a Teerã de uma delegação paquistanesa liderada pelo chefe do Exército, Asim Munir. De acordo com a emissora iraniana Press TV, ele levou uma mensagem dos Estados Unidos à liderança iraniana e trabalha para preparar uma nova rodada de negociações.
Munir foi recebido pelo ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, que agradeceu a “gentil hospitalidade do Paquistão para o diálogo”. A missão também busca criar condições para dar continuidade ao processo diplomático entre Washington e Teerã.
O jornalista Osama Bin Javaid, da Al Jazeera, afirmou que há expectativa de “um grande avanço na questão nuclear”, com delegações trocando mensagens constantes entre os dois países.
Impasse sobre enriquecimento de urânio
O principal obstáculo nas negociações continua sendo o prazo para a suspensão do enriquecimento de urânio pelo Irã, além do destino do estoque de cerca de 440 quilos de material altamente enriquecido.
“Sabemos que ambos os lados estão essencialmente presos num impasse entre cinco anos e 20 anos sem enriquecimento de urânio. E existe uma solução intermediária”, disse Bin Javaid.
Ele acrescentou que há discussões sobre diferentes alternativas para o material nuclear: envio para um terceiro país ou redução do nível de enriquecimento. “De acordo com essas fontes, houve um grande progresso e elas esperam que os paquistaneses consigam convencer Teerã”, afirmou.
Diplomacia regional e pressão por acordo
A atuação do Paquistão ocorre após negociações realizadas em Islamabad que terminaram sem acordo para encerrar o conflito. Mediadores concentram esforços em três pontos centrais: o programa nuclear iraniano, o controle do Estreito de Ormuz e compensações pelos danos da guerra.
O conflito, iniciado em 28 de fevereiro por Estados Unidos e Israel, resultou em mais de 3 mil mortes no Irã e desencadeou ataques retaliatórios na região do Golfo. Também reativou confrontos entre Israel e o Hezbollah no Líbano, onde mais de 2 mil pessoas morreram desde março.
Apesar do cessar-fogo firmado em 8 de abril entre Teerã e Washington, as hostilidades continuam em outras frentes, especialmente no Líbano.
Estratégia diplomática ampliada
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, iniciou uma série de visitas à Arábia Saudita, Catar e Turquia, como parte de uma estratégia paralela às negociações diretas.
“Enquanto os iranianos conversam com o chefe militar paquistanês, o primeiro-ministro e o ministro das Relações Exteriores do Paquistão conversam com os sauditas e os catarianos. No dia seguinte, eles vão para a Turquia”, explicou Bin Javaid.
Segundo ele, o objetivo é reduzir resistências ao acordo, especialmente entre setores em Teerã, Washington e Israel, que “não quer um acordo de paz e deseja uma guerra perpétua na região”.
Otimismo dos EUA eua e tensões persistentes
O atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o mundo deve se preparar para “dois dias incríveis” e afirmou que a guerra contra o Irã está “muito perto do fim”.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, classificou as negociações mediadas pelo Paquistão como “produtivas e em andamento”. “Estamos otimistas quanto às perspectivas de um acordo”, disse.
O governo iraniano confirmou que as trocas de mensagens continuam. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, afirmou que “diversas mensagens foram trocadas por meio do Paquistão” e que as “posições iranianas foram expressas nessas trocas”.
Bloqueio naval mantém clima de tensão
Apesar do avanço diplomático, o cenário segue instável. O bloqueio da Marinha dos EUA aos portos iranianos no Estreito de Ormuz permanece em vigor, com o Comando Central afirmando ter impedido a passagem de nove embarcações.
O Irã considera a medida uma violação do cessar-fogo. A agência Fars informou que um superpetroleiro iraniano atravessou o estreito, mesmo sob restrições.
O comandante militar Ali Abdollahi alertou para possíveis retaliações caso o bloqueio não seja suspenso, incluindo a interrupção do comércio em áreas estratégicas como o Mar Vermelho, o Golfo Pérsico e o Mar de Omã.


