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Comandantes de Trump dizem às tropas para se prepararem para o retorno de Jesus e fazem profecia sobre o Armagedom

Denúncias indicam que militares teriam associado guerra com o Irã a profecias bíblicas

Militares dos Estados Unidos (Foto: Reuters/Bryan Woolston)

247 - Comandantes militares associados ao governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foram acusados de transmitir mensagens religiosas a tropas americanas em meio ao conflito com o Irã, afirmando que a guerra faria parte de um plano divino ligado ao “Armagedom”. As denúncias surgiram após relatos de soldados que dizem ter ouvido interpretações bíblicas sobre o conflito durante orientações internas.

Segundo reportagem publicada pelo Daily Mail, a organização civil Military Religious Freedom Foundation (MRFF) afirma ter recebido 110 reclamações de militares desde o início da guerra no último sábado. As queixas teriam sido registradas em mais de 40 unidades espalhadas por cerca de 30 instalações militares dos Estados Unidos.

Denúncias partem de militares de diversas unidades

De acordo com os relatos encaminhados à MRFF, um sargento — identificado apenas como suboficial — relatou que o comandante de sua unidade afirmou que Donald Trump teria sido “ungido por Jesus” para iniciar um evento que levaria ao Armagedom. O militar disse que a declaração foi feita durante orientações à tropa.

Segundo o depoimento encaminhado à organização, o comandante afirmou que Trump havia sido “ungido por Jesus para acender o sinal de fogo no Irã para causar o Armagedom e marcar seu retorno à Terra”.O mesmo militar relatou ainda que a liderança teria orientado os soldados a transmitir essa interpretação religiosa às tropas. Em seu relato, ele afirmou que o comandante disse que o conflito seria “parte do plano divino de Deus”, citando passagens do Livro do Apocalipse relacionadas ao Armagedom e ao retorno de Jesus Cristo.

O suboficial, cuja identidade foi preservada pela MRFF, declarou que escreveu a denúncia em nome de outros 15 militares de sua unidade, entre eles 11 cristãos, um muçulmano e um judeu. Segundo ele, os soldados estão fora da zona direta de combate no Irã, mas permanecem em status de apoio pronto, o que significa que podem ser mobilizados a qualquer momento.

No documento enviado à organização, o militar afirmou que os comentários de seu comandante “destroem o moral e a coesão da unidade e violam os juramentos que fizemos de apoiar a Constituição”.

Governo nega uso de argumentos religiosos

Um funcionário da Casa Branca negou que comandantes estejam dando ordens com base em interpretações religiosas sobre o fim dos tempos. De acordo com o representante do governo, os objetivos da guerra são militares e estratégicos: destruir os mísseis iranianos, enfraquecer a indústria de armamentos do país e neutralizar sua marinha.

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário sobre as denúncias.

Influência religiosa no entorno político e militar

A presença de discursos religiosos em ambientes ligados ao governo não se limita ao campo de batalha. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, identificado como cristão renascido, realiza encontros mensais de oração no Pentágono e participa de estudos bíblicos semanais na Casa Branca.

Essas reuniões são conduzidas por um pastor que defende que Deus abençoa aqueles que apoiam Israel. A conselheira espiritual de longa data de Donald Trump, Paula White, também defende essa posição e há décadas incentiva cristãos a “ficarem ao lado de Israel”.

Outras lideranças religiosas próximas ao círculo político de Trump também associaram o conflito atual a interpretações proféticas. Em culto realizado no domingo, o pastor John Hagee afirmou a seus fiéis que os acontecimentos indicariam a proximidade do chamado “fim dos tempos”.

Profeticamente, estamos exatamente no momento certo. As sirenes estão soando e profecias escritas há milhares de anos estão entrando no palco do mundo”, declarou.

Tensão internacional após escalada militar

A crise no Oriente Médio se intensificou após uma operação militar conjunta dos Estados Unidos e de Israel que resultou na morte do aiatolá Ali Khamenei no sábado, durante um ataque aéreo. A ação ampliou drasticamente a instabilidade regional.

Após o episódio, forças iranianas passaram a lançar mísseis e drones contra embaixadas e bases americanas na região, além de alvos em Israel e em aliados árabes dos Estados Unidos, como Bahrein, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Inicialmente, Donald Trump afirmou que a guerra poderia durar entre quatro e cinco semanas. Posteriormente, o presidente dos Estados Unidos declarou que o conflito pode se estender por um período “muito mais longo”, diante da escalada militar em curso no Oriente Médio.

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