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Produção industrial fica estável em novembro, diz IBGE

As indústrias extrativas tiveram a maior influência no resultado, com queda de 2,6%

Investimento produtivo cresce 6,9% em 2024, mostra indicador do Ipea (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

247 - A produção industrial brasileira ficou estável em novembro, sem variação em relação ao mês anterior, interrompendo a trajetória de leves oscilações observada ao longo de 2025. O resultado mantém o nível de atividade acima do patamar pré-pandemia, mas confirma sinais de perda de fôlego do setor, especialmente diante do desempenho negativo de segmentos relevantes da indústria.

Os dados fazem parte da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) e foram divulgados nesta terça-feira (7) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o instituto, a indústria permanece 2,4% acima do nível registrado em fevereiro de 2020, antes do impacto da pandemia de covid-19. No entanto, o setor ainda opera 14,8% abaixo do recorde histórico alcançado em maio de 2011. Na comparação com novembro de 2024, a produção industrial recuou 1,2%, interrompendo a sequência recente de resultados positivos.

No acumulado de 2025, a indústria registra crescimento de 0,6%, enquanto o avanço nos últimos 12 meses foi de 0,7%. Apesar de permanecerem no campo positivo, esses indicadores revelam desaceleração em relação aos meses anteriores.

A estabilidade observada na passagem de outubro para novembro ocorreu em um cenário de retração disseminada. Duas das quatro grandes categorias econômicas e 15 dos 25 ramos industriais pesquisados apresentaram queda na produção. O principal impacto negativo veio das indústrias extrativas, que recuaram 2,6% no mês.

Segundo o gerente da pesquisa, André Macedo, a retração foi influenciada principalmente pela menor produção de commodities estratégicas. “A queda observada neste mês foi influenciada pela menor produção de óleos brutos de petróleo, gás natural e minérios de ferro. Vale destacar que essa retração eliminou parte do avanço de 3,5% verificado em outubro, quando interrompeu dois meses consecutivos de queda na produção”, afirmou.

Outros setores também contribuíram para o desempenho negativo, como veículos automotores, reboques e carrocerias (-1,6%), produtos químicos (-1,2%), produtos alimentícios (-0,5%) e bebidas (-2,1%). Macedo destacou ainda que novembro apresentou um número maior de atividades operando no campo negativo.

Em sentido oposto, dez atividades registraram crescimento. O principal destaque positivo foi o segmento de produtos farmoquímicos e farmacêuticos, que avançou 9,8% e exerceu a maior influência positiva sobre a média da indústria. Também apresentaram resultados expressivos os setores de impressão e reprodução de gravações (18,3%), produtos de minerais não metálicos (3,0%), produtos de metal (2,7%), máquinas e equipamentos (2,0%) e metalurgia (1,8%).

Entre as grandes categorias econômicas, os bens de consumo duráveis tiveram a queda mais intensa, com recuo de 2,5% em novembro, devolvendo parte da alta de 2,8% registrada no mês anterior. Os bens intermediários também apresentaram resultado negativo (-0,6%), acumulando três meses consecutivos de retração e perda de 1,8% no período.

Por outro lado, os bens de capital cresceram 0,7%, somando avanço de 2,1% em três meses consecutivos de alta. Já os bens de consumo semi e não duráveis avançaram 0,6% em novembro, acumulando ganho de 1,5% entre outubro e novembro.

Na comparação com novembro do ano passado, o cenário foi mais adverso. Três das quatro grandes categorias econômicas, 16 dos 25 ramos industriais e mais da metade dos produtos pesquisados apresentaram queda na produção. As maiores influências negativas vieram dos setores de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis (-9,2%) e de veículos automotores (-7,0%).

Também registraram retração significativa os segmentos de produtos de metal (-6,8%), produtos de madeira (-12,4%), máquinas e materiais elétricos (-5,3%), equipamentos de informática e eletrônicos (-5,7%), móveis (-5,8%) e bebidas (-4,2%).

Entre os setores que conseguiram crescer na comparação anual, as indústrias extrativas (4,6%) e os produtos alimentícios (4,0%) foram os que mais contribuíram para amenizar a queda geral. Outros avanços relevantes ocorreram em manutenção e reparação de máquinas e equipamentos (9,8%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (5,4%), celulose e papel (3,0%) e metalurgia (1,7%).

A Pesquisa Industrial Mensal acompanha o comportamento da produção das indústrias extrativa e de transformação desde a década de 1970. Em 2023, o IBGE passou a divulgar uma nova série de índices, resultado de uma ampla reformulação metodológica que atualizou a amostra de atividades, produtos e informantes, além de incorporar mudanças recentes da estrutura produtiva brasileira. A próxima divulgação, referente a dezembro de 2025, está prevista para o dia 3 de fevereiro.

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