China intensifica diálogo com Europa na Conferência de Segurança de Munique
Encontros durante a Conferência de Segurança de Munique reforçam cooperação estratégica entre China e países europeus em meio à instabilidade global
247 - O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, realizou uma série de reuniões com líderes e chanceleres europeus à margem da Conferência de Segurança de Munique (MSC) de 2026, na Alemanha, em um momento marcado por tensões geopolíticas e reconfigurações na ordem internacional. Entre os interlocutores estiveram o presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, além de chefes da diplomacia da Áustria, Reino Unido, Alemanha e França.
As informações foram divulgadas pelo jornal chinês Global Times, com base em comunicado oficial do Ministério das Relações Exteriores da China. A conferência deste ano ocorre sob o pano de fundo de transformações profundas nas relações transatlânticas e de um cenário global descrito por observadores como crítico e instável.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores da China, Wang Yi destacou, em encontro com Aleksandar Vucic, que Pequim está disposta a manter intercâmbios de alto nível com Belgrado, fortalecer a confiança política mútua e apoiar reciprocamente os interesses centrais de cada país. O chanceler chinês defendeu ainda o avanço da cooperação prática, citando a operação da ferrovia Hungria-Sérvia e a ampliação dos benefícios do acordo bilateral de livre comércio.
De acordo com a agência Xinhua, Wang também enfatizou a importância de consolidar a amizade entre os dois países e de ampliar as perspectivas da relação bilateral. Em resposta, Vucic afirmou que a China segue sendo uma “verdadeira amiga e parceira” da Sérvia em um contexto internacional turbulento. O presidente sérvio manifestou a expectativa de aprofundar a cooperação política, econômica, comercial, tecnológica e cultural com Pequim, além de reafirmar o compromisso de Belgrado com o princípio de Uma Só China e o apoio à posição chinesa sobre a reunificação nacional.
A edição de 2026 da Conferência de Segurança de Munique teve como tema central a “destruição”, conforme relatado pelo portal Euractiv. A abertura do evento incluiu um vídeo simbólico que convidou os participantes a refletirem sobre o que foi chamado de “era da política de demolição”, em referência às rupturas e desafios que marcam o cenário internacional atual.
Em conversa com o Global Times, o diretor do Centro de Estudos Britânicos da Universidade de Estudos Internacionais de Xangai, Gao Jian, avaliou que a agenda intensa de encontros demonstra a solidez das relações sino-europeias. “Essas reuniões intensivas com figuras políticas de alto nível de toda a Europa durante a Conferência de Cooperação Multilateral destacaram a natureza estreita e inseparável dos laços China-Europa, refletindo a profunda interconexão entre os dois lados em um momento de incerteza global”, afirmou.
A guerra na Ucrânia também esteve no centro das conversas de Wang Yi com os ministros das Relações Exteriores da Áustria, Reino Unido, Alemanha e França. O conflito permanece como uma das principais preocupações de segurança da Europa e tem sido apontado como fator de divergência nas relações entre Estados Unidos e países europeus.
Para Ding Chun, diretor do Centro de Estudos Europeus da Universidade de Fudan, a postura chinesa mantém foco na diplomacia. “A posição da China de promover negociações de paz permanece inalterada, e o país está pronto para contribuir com esse esforço. Tal engajamento também seria propício para a construção de uma arquitetura de segurança europeia sustentável no pós-guerra e para uma ordem global mais estável”, declarou ao Global Times.
No encontro com o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, Wang Yi reiterou a disposição de Pequim em preparar novas etapas de diálogo de alto nível e ampliar a parceria estratégica abrangente entre os dois países, com o objetivo de impulsionar também o desenvolvimento das relações entre China e Europa.
Ao comentar o contexto mais amplo, Gao Jian observou que o intercâmbio recente entre autoridades europeias e chinesas sinaliza uma busca por maior pragmatismo. “Nos últimos meses, vários líderes europeus realizaram visitas intensivas à China, o que indica que, em meio ao atual cenário internacional turbulento, a Europa também está explorando ativamente um novo caminho pragmático, orientado para resultados e voltado para o futuro nas relações China-Europa”, disse
As reuniões realizadas durante a MSC 2026 evidenciam que a cooperação entre China e Europa ocupa posição estratégica em meio às mudanças na arquitetura global de poder e aos desafios de segurança que dominam a agenda internacional.



