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Aragon vê cautela em medida dos EUA sobre PCC e CV, mas sugere que 'a extrema direita, mesmo perdida, quer provocar o caos'

Especialista avalia que Donald Trump não busca confronto direto com Lula, mas alerta para uso eleitoral da segurança pública

Reynaldo Aragon, Donald Trump, Lula, siglas das facções Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho (Foto: Reprodução (TV247) I Reprodução I Divulgação)
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247 - Doutor em comunicação e jornalista especializado em geopolítica da informação e da tecnologia, Reynaldo Aragon afirmou nesta semana, em entrevista ao programa Giro das Onze, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tende a evitar um confronto direto com o governo Lula, mesmo após Washington anunciar a intenção de classificar PCC e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Em análise na TV 247, Aragon comentou sobre os possíveis efeitos da medida anunciada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e sugeriu cautela com uma possível interferência dos EUA no Brasil. O jornalista afirmou também que a extrema direita bolsonarista pode explorar a segurança pública para criar tensão política.

A medida anunciada pelos Estados Unidos mira as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). Lideranças do campo progressista brasileiro denunciam que a iniciativa busca abrir caminho para violar a soberania nacional e estimular sanções contra o Brasil por causa do inquérito da trama golpista, no qual o Supremo Tribunal Federal condenou Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos de prisão.

“Os EUA não estão querendo entrar em confronto com Lula. Acho difícil que Donald Trump faça de forma ‘vamos fazer porque Flávio pediu’. Por trás das cortinas, está rolando muita coisa”, afirmou o analista, acrescentando que “o campo bolsonarista está perdido”, mas fez um alerta: “meu medo é que esse cenário de confronto, onde essa extrema direita ligada ao crime organizado a milícias, comece a criar um caos no País”.

Aragon vê cenário ruim para Flávio Bolsonaro no caso Master

Na entrevista, Aragon também avaliou o futuro político de Flávio Bolsonaro caso o senador tente disputar a Presidência da República. Segundo o jornalista, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, já retirou apoio efetivo ao nome de Flávio.

O analista usou uma expressão dura para descrever a situação interna do senador no partido. Segundo Aragon, Valdemar “já rifou o Flávio”. “Cada declaração de Valdemar é bala de prata na cabeça de Flávio”, continuou.

A fala de Aragon ocorre depois de Valdemar Costa Neto confirmar, no último dia 25, que Flávio Bolsonaro teve um encontro com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para buscar recursos para o filme Dark Horse, retrato biográfico de Jair Bolsonaro.

Caso Daniel Vorcaro pressiona Flávio

A situação de Flávio Bolsonaro também envolve o caso revelado pelo Intercept Brasil. No dia 13 de maio, o veículo publicou reportagem segundo a qual o senador negociou um financiamento de R$ 134 milhões para o longa sobre Jair Bolsonaro.

Ao menos R$ 61 milhões desse total teriam chegado ao projeto. A revelação ampliou a pressão sobre Flávio em meio ao avanço de investigações e à exposição de suas relações com Daniel Vorcaro, investigado em um esquema de fraudes financeiras que, segundo a PF, movimentou ao menos R$ 12 bilhões.

Vorcaro está detido no Distrito Federal e tenta avançar em um processo de colaboração premiada. A Polícia Federal rejeitou a primeira proposta apresentada pela defesa do empresário, ao apontar “seletividade” dos fatos incluídos nos documentos entregues pelos advogados do ex-banqueiro.

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