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"Aceitei o desafio de disputar em São Paulo porque não quero ver o estado e o Brasil retrocederem", diz Haddad

Ex-ministro relata decisão após conversas com o presidente Lula, critica gestão Tarcísio e afirma que eleição paulista será decisiva para o futuro do país

03.03.2026 - Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante a abertura da 2º Conferência Nacional do Trabalho, no Teatro Celso Furtado. São Paulo - SP.

Foto: Ricardo Stuckert / PR (Foto: Ricardo Stuckert)

247 – O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad afirmou que a eleição para o governo de São Paulo terá impacto direto no futuro político do Brasil e destacou o peso estratégico do estado no cenário nacional. Em entrevista ao programa Boa Noite 247, exibido na última terça-feira (24), ele ressaltou que a disputa paulista ultrapassa os limites regionais e influencia o rumo do país.

“São Paulo tem um peso específico importante. É uma eleição que projeta ideias para todo o país”, afirmou Haddad.

Segundo ele, o estado historicamente desempenha papel central na formação de lideranças políticas nacionais. “É uma eleição com conteúdo nacional”, disse.

Decisão vinculada ao cenário político nacional

Haddad também explicou que sua decisão de disputar o governo paulista está ligada ao contexto político mais amplo. “Eu resolvi comprar essa briga porque eu acho que ela vale a pena”, afirmou.

Ele reforçou que sua motivação está relacionada à necessidade de evitar retrocessos. “Eu não quero ver o país retroceder de jeito nenhum”, declarou.

Críticas à gestão estadual

O ex-ministro apontou sinais de deterioração em áreas essenciais da administração paulista. Segundo ele, há um conjunto de reclamações vindas de diferentes setores da sociedade.

“Tem gente falando que a qualidade da água piorou e o preço subiu, tem gente falando da evasão escolar, da qualidade do ensino e da insatisfação das polícias”, afirmou.

Haddad também disse que a percepção predominante entre especialistas é negativa. “Se você perguntar para quem acompanha os indicadores, a resposta quase unânime é de que as coisas pioraram”, declarou.

Interior será decisivo

O ex-ministro reconheceu que o interior de São Paulo será determinante na disputa e destacou a necessidade de ampliar o diálogo com essa parcela do eleitorado.

“Nós temos que encontrar o caminho para dialogar com esse público que tem um valor enorme”, afirmou.

Ele relembrou o desempenho eleitoral anterior para justificar o diagnóstico. “Eu fiz 55% na região metropolitana e 35% no interior, e isso definiu o resultado”, disse.

Campanha baseada em propostas

Haddad afirmou que pretende conduzir uma campanha focada em propostas e debate público. “Se depender de mim, eu vou fazer uma campanha mais profunda em termos de ideias e conceitos”, declarou.

Ele também defendeu mais debates sobre políticas públicas. “O melhor para a democracia é que possamos discutir profundamente temas como saúde, educação e segurança pública”, afirmou.

Guerra de narrativas

O ex-ministro alertou ainda para o papel das redes sociais na disputa política atual. “Hoje é uma guerra de versões, uma guerra de narrativas”, disse.

Ele reconheceu que o campo progressista enfrenta dificuldades nesse ambiente. “A direita tem uma atuação de rede que nós ainda não aprendemos a fazer”, afirmou.

Apesar disso, defendeu o enfrentamento da desinformação com responsabilidade. “Não é com fake news que você combate fake news”, declarou.

Papel de São Paulo no projeto nacional

Haddad destacou que a disputa no estado também será um espaço para apresentar os resultados do governo do presidente Lula. “São Paulo permite fazer o contraponto e defender o que deu certo no país”, afirmou.

Ele lembrou que o governo federal investiu no estado e renegociou a dívida paulista. “São Paulo foi tratado com respeito e recebeu apoio do governo federal”, disse.

Disputa para evitar retrocessos

Ao final, Haddad reforçou o sentido político de sua candidatura. “Eu resolvi aceitar esse desafio porque acredito que ele é importante para o país”, afirmou.

E concluiu com a frase que sintetiza sua decisão: “Aceitei o desafio de disputar em São Paulo porque não quero ver o estado e o Brasil retrocederem”.

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