Renda real das famílias deve crescer 4,5% em 2026, projeta XP
Alta dos rendimentos, reforma do IR e transferências fiscais sustentam consumo
247 - A renda real disponível das famílias brasileiras deve manter trajetória de crescimento em 2026, impulsionada por um mercado de trabalho ainda aquecido, mudanças no Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) e pelo reforço das transferências fiscais. A avaliação consta de estudo divulgado nesta terça-feira (3), que aponta avanço consistente do poder de compra ao longo do próximo ano.
Segundo as estimativas, a renda das famílias descontada a inflação deve crescer 4,5% em 2026, após expansão de 4,8% registrada em 2025. O indicador considera a soma dos rendimentos do trabalho, benefícios previdenciários e de proteção social, além da tributação líquida, e segue em trajetória de alta desde 2022.
A expansão da renda disponível deve se traduzir em maior dinamismo do consumo das famílias, com efeitos diretos sobre a atividade econômica. A projeção indica que o consumo avance 2% dentro do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, acima dos 1,4% observados no ano anterior. Já o PIB total tende a desacelerar de 2,3% para 1,7% no período, embora a estimativa para o próximo ano apresente viés de alta.
O mercado de trabalho permanece como um dos principais vetores desse cenário. A taxa de desemprego deve seguir em patamares historicamente baixos, contribuindo para a elevação da renda real do trabalho. A projeção aponta que a desocupação encerre 2026 em 5,7%, abaixo da taxa de equilíbrio estimada, conhecida como NAIRU, que não acelera nem desacelera a inflação.
Outro fator relevante para o avanço da renda disponível é a ampliação da isenção do Imposto de Renda para rendimentos mensais de até R$ 5 mil. A medida tende a beneficiar principalmente trabalhadores de baixa e média renda. “Como a maior parte das isenções e descontos beneficiará indivíduos de baixa e média renda, estimamos um impacto líquido de 0,6 ponto porcentual sobre a taxa de crescimento real da renda das famílias”, aponta o estudo.
As transferências fiscais também devem exercer papel importante ao longo do ano, com destaque para os benefícios previdenciários e os pagamentos do Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas). Nesse ponto, o levantamento ressalta que o ritmo de redução da fila de concessão desses benefícios ainda representa uma fonte relevante de incerteza para o cenário de renda das famílias.


