Master financiou compra recorde de áreas de minerais críticos no Brasil
Documentos revelam empréstimo à 3D Minerals após leilão da Agência Nacional de Mineração (ANM)
247 - O Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, financiou a maior aquisição de áreas de minerais críticos já registrada no país, segundo documentos obtidos em juntas comerciais e contratos empresariais. A operação envolve a empresa 3D Minerals, criada em junho de 2024, que arrematou 116 áreas no leilão promovido pela Agência Nacional de Mineração (ANM) poucos dias após sua constituição, informa a Folha de São Paulo.
O financiamento foi formalizado em novembro de 2024, quando o Master concedeu empréstimo à 3D Minerals tendo como garantia metade das ações da companhia. O recurso foi utilizado para cobrir uma dívida milionária assumida pela empresa três meses depois de ter se tornado a maior vencedora do leilão da ANM
Empresa recém-criada dominou leilão bilionário
A 3D Minerals foi constituída em 20 de junho de 2024, em Belo Horizonte, com capital social de R$ 5 mil. Seus sócios, segundo a reportagem, seriam integrantes de uma tradicional família mineira ligada ao setor da construção civil.
Em 5 de agosto de 2024, apenas 46 dias após a criação, a empresa venceu 116 áreas de minerais críticos, que somam 6.462 km² — extensão superior à do Distrito Federal. Os lances vencedores ultrapassaram R$ 54,8 milhões, tornando a companhia a principal arrematante do certame naquele ano.
O caso passou a ser alvo de investigação no Tribunal de Contas da União (TCU). Em um episódio considerado controverso, a 3D Minerals obteve da ANM autorização para alterar o valor de um lance depois da abertura dos envelopes com as propostas. Após a divulgação do caso, o TCU determinou o cancelamento desse lance específico.
O Ministério Público junto ao TCU solicitou a suspensão das tratativas relativas às áreas conquistadas pela empresa. O relator do processo, ministro Aroldo Cedraz, negou a medida cautelar e determinou a realização de diligências. O caso ainda aguarda análise do plenário da corte e permanece sob exame técnico.
Relações societárias e fundo de investimentos
As conexões entre o Banco Master e a família Wanderley vão além do financiamento à 3D Minerals. Documentos apontam que o fundo Victoria Falls, estruturado no ecossistema do banco, foi utilizado para organizar participações societárias e injetar recursos em empreendimentos ligados ao grupo mineiro.
Ainda conforme a reportagem, em maio de 2022, o Victoria Falls — um Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia (FIP) — financiou a criação da 5W Participações, holding sediada em Belo Horizonte com capital social de R$ 10 milhões. A gestão da carteira do Victoria Falls era conduzida pela Smart Agro Investimentos, cujos executivos também atuavam na Reag Investimentos. Tanto o Master quanto a Reag tiveram suas operações posteriormente liquidadas pelo Banco Central em meio a suspeitas de fraudes.
Outros negócios e participação em mineradora controversa
O fundo também teve participação relevante na Taquaril Mineração (Tamisa), responsável pelo projeto de exploração na Serra do Curral, em Nova Lima (MG), empreendimento que gerou forte controvérsia ambiental. Nos balanços do Victoria Falls, a Tamisa chegou a representar mais de 90% do capital da mineradora.
Em setembro de 2025, após a liquidação do fundo ligado ao Master, as cotas da 5W foram transferidas em um movimento semelhante ocorreu na H4ALL, holding criada em março de 2022 com foco em alimentos saudáveis, da qual o fundo também se retirou no mesmo período.
Além das operações empresariais, documentos indicam que Fabiano Zettel, pastor e cunhado de Vorcaro, é sócio de Saulo Wanderley Filho em uma aeronave modelo Falcon 2000, da fabricante francesa Dassault Aviation. A empresa proprietária do avião, a SPE FSW, declara capital de R$ 33 milhões e conta com participação da Belvitur Viagens e Turismo, ligada à companhia BeFly, que tem Vorcaro como sócio por meio de fundos de investimento.
Procurados pela Folha de São Paulo por meio de contatos institucionais e representantes das empresas 5W e 3D Minerals, os executivos não se manifestaram até a publicação da reportagem. Vorcaro, Fabiano Zettel e o Banco Master também não responderam aos pedidos de esclarecimento.
Outro lado
Em nota, o escritório CLRD informou que Thiago Malzoni Monteiro e Luiz Felippe Cruz Generali, citados pela Folha de São Paulo como diretores da Reag Investimentos “não corresponde à realidade fática”. Ainda segundo a nota, ambos “não exerceram cargo de direção, chefia ou gestão no Grupo Reag Investimentos. Ambos mantiveram, tão somente, vínculo profissional por período determinado e de curta duração, sendo o primeiro, no período de agosto/2014 a janeiro de 2016, e o segundo, no período de agosto de 2015 a março de 2016. Ressalta-se, ainda, que o referido vínculo foi encerrado há mais de 10 (dez) anos, inexistindo, desde então, qualquer relação profissional”.
“Ressalta-se que os referidos profissionais sempre pautaram suas trajetórias pela legalidade, ética, diligência e boa-fé, valores que norteiam suas atuações no mercado ao longo de carreiras sólidas e reconhecidas”, destaca um outro trecho da nota.
Confira a íntegra da nota:
“NOTA À IMPRESSA
Os Senhores Thiago Malzoni Monteiro e Luiz Felippe Cruz Generali, vem por meio desta nota esclarecer os relatos da reportagem publicada em 11 de fevereiro de 2026, na Folha de São Paulo, sob o título “Banco Master financiou maior aquisição de áreas de minerais críticos do país”, cumpre prestar esclarecimento quanto a informação veiculada acerca dos Senhores.
A matéria mencionada atribui aos referidos profissionais a condição atual de Diretores da Reag Investimentos, afirmação que não corresponde à realidade fática.
Os Srs. Thiago Malzoni Monteiro e Luiz Felippe Cruz Generali não exerceram cargo de direção, chefia ou gestão no Grupo Reag Investimentos. Ambos mantiveram, tão somente, vínculo profissional por período determinado e de curta duração, sendo o primeiro, no período de agosto/2014 a janeiro de
2016, e o segundo, no período de agosto de 2015 a março de 2016. Ressalta-se, ainda, que o referido vínculo foi encerrado há mais de 10 (dez) anos, inexistindo, desde então, qualquer relação profissional.
A associação indevida de seus nomes à condição de diretores - especialmente em contexto de reportagem de natureza sensível e envolvendo empresa atualmente objeto de investigações e que foi recentemente liquidada pelo Banco Central - produz grave distorção informativa, com potencial de causar danos reputacionais irreparáveis, ao vincular suas imagens profissionais a fatos e responsabilidades que jamais lhes poderiam ser atribuíveis.
Ressalta-se que os referidos profissionais sempre pautaram suas trajetórias pela legalidade, ética, diligência e boa-fé, valores que norteiam suas atuações no mercado ao longo de carreiras sólidas e reconhecidas.
Diante disso, solicita-se no prazo de 24 horas a remoção dos nomes de Thiago Malzoni Monteiro e Luiz Felippe Cruz Generali como diretores da Reag Investimentos, para corrigir a citada matéria publicada, a fim de restabelecer a exatidão dos fatos e preservar a integridade reputacional dos envolvidos.
Reitera-se o compromisso com a transparência, a precisão jornalística e o respeito aos direitos da personalidade.
De Brasília-DF para São Paulo/SP, 20 de fevereiro de 2026.
Thiago Malzoni Monteiro
Luiz Felippe Cruz Generali
José Márcio Diniz Filho
OAB/MG 90.257”


