Ibovespa bate recorde e fecha acima de 185 mil pontos pela primeira vez
Índice sobe 1,58% e atinge máxima histórica em reação à ata do Copom
247 - O Ibovespa voltou a renovar recordes nesta terça-feira (3) e encerrou o pregão em alta de 1,58%, aos 185.674,43 pontos, superando pela primeira vez a marca de 185 mil pontos no fechamento. Ao longo da sessão, o principal índice da Bolsa brasileira também atingiu 187.333,83 pontos, estabelecendo uma nova máxima histórica intradiária. Segundo o InfoMoney, a repercussão positiva da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) foi o principal catalisador do dia, além do forte desempenho de ações de grande peso, especialmente da Vale.
Ao final da sessão, o Ibovespa consolidou a sequência de máximas históricas, com volume financeiro de R$ 36,30 bilhões, em um dia marcado pela leitura da política monetária e pelo forte desempenho das ações de maior peso no índice.
Ata do Copom impulsiona o mercado
A leitura do documento divulgado pelo Banco Central reforçou a expectativa de início de cortes na taxa básica de juros. Para Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos, o conteúdo da ata foi bem recebido pelos investidores. “A ata confirmando que haverá cortes dos juros é positivo. O Banco Central prevê 3,2% para a inflação no terceiro trimestre de 2027, é bem perto do centro da meta, de 3%. Não é um período muito distante”, afirmou.
Julio Barros, economista do Daycoval, avaliou que o texto manteve o tom já sinalizado anteriormente. “De um lado traz o diagnóstico de que o mercado de trabalho ainda continua resiliente, de que a desaceleração da economia acontece de maneira gradual e que a inflação apresentou melhora na margem e as expectativas também, mas ainda se encontram distantes da meta”, disse. “Do outro lado, havia no comunicado a indicação de corte de juros na reunião de março”, mas ressaltou que “não trouxe muitos detalhes no final das contas”, completou.
Vale lidera ganhos e sustenta recordes
O desempenho do Ibovespa foi fortemente ancorado pela valorização das ações da Vale (VALE3), que avançaram 4,92%, mesmo com o minério de ferro em baixa no exterior. O papel foi apontado como o principal responsável pela sequência de recordes registrada ao longo do pregão.
As ações da Petrobras (PETR4) também fecharam no campo positivo, com alta de 0,91%, acompanhando o avanço dos contratos futuros de petróleo, apesar de menções a rebaixamentos de recomendação após recente valorização.
Dólar recua e juros futuros ficam mistos
No mercado de câmbio, o dólar comercial caiu 0,15%, cotado a R$ 5,250, após duas sessões consecutivas de alta. Já os juros futuros (DIs) encerraram o dia de forma mista, com maior concentração de recuos ao longo da curva, segundo os dados acompanhados durante o pregão.
Bancos oscilam com temporada de balanços
Com o foco se deslocando para a temporada de resultados do quarto trimestre, as ações dos grandes bancos apresentaram desempenho misto. Santander (SANB11) recuou 2,39% no dia em que antecede a divulgação de seus números. Itaú Unibanco (ITUB4) subiu 0,57%, enquanto Bradesco (BBDC4) avançou 0,54% e Banco do Brasil (BBAS3) encerrou com alta de 1,54%. A B3 (B3SA3) terminou o pregão com ganho de 0,61%.
Wall Street perde fôlego ao longo do pregão
No exterior, o apoio de Nova York foi limitado. As bolsas norte-americanas chegaram a operar em alta, mas inverteram o sinal e fecharam em queda, pressionadas principalmente pelo setor de tecnologia. Josh Brown, CEO da Ritholtz Wealth Management, afirmou à CNBC: “acho que temos um ou dois desses períodos todos os anos. A causa é sempre diferente, mas o efeito é sempre o mesmo. Algumas das ações mais populares de alta anterior simplesmente despencam”.
Bill Northey, diretor sênior de investimentos do U.S. Bank Asset Management Group, também comentou o cenário. “As tendências de receita parecem incrivelmente sólidas, mas, marginalmente, continuam a existir algumas preocupações em torno do setor de software”, disse. Segundo ele, essas incertezas “estão sendo refletidas no sentimento atual”.


