Dólar cai e fecha sessão abaixo de R$ 4,90 pela primeira vez em mais de dois anos
Mercado reage a dados dos eua e fortalece o real
247 - O dólar encerrou esta sexta-feira (8) cotado a R$ 4,8942, com queda de 0,59%, no primeiro fechamento abaixo de R$ 4,90 desde 15 de janeiro de 2024, quando a moeda terminou o dia em R$ 4,8657. O dólar à vista caiu 0,55%, para R$ 4,8961, menor valor de encerramento desde 16 de janeiro de 2024. Na semana, a divisa acumulou recuo de 1,13% frente ao real.
As informações foram divulgadas pela agência Reuters, que apontou influência direta do cenário internacional sobre o mercado cambial brasileiro, especialmente após a divulgação de dados econômicos dos Estados Unidos.
Mercado reage a emprego forte nos EUA
O movimento de baixa do dólar ganhou força depois da divulgação de números do mercado de trabalho norte-americano. Os Estados Unidos criaram 115 mil vagas fora do setor agrícola em abril, quase o dobro das 62 mil previstas por economistas consultados pela Reuters. A taxa de desemprego permaneceu em 4,3%.
Os dados reduziram a percepção de risco de novos aumentos de juros pelo Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos. O mercado passou a avaliar que a autoridade monetária deve manter postura cautelosa diante da inflação.
Enquanto isso, o índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes, caiu 0,37%, aos 97,864 pontos.
Oriente Médio também influenciou o câmbio
Outro fator que contribuiu para a desvalorização global do dólar foi o aumento das expectativas de manutenção do cessar-fogo no Oriente Médio. O atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a trégua entre EUA e Irã segue válida, apesar de novos episódios de hostilidade registrados nos últimos dias.
Desde a entrada em vigor do cessar-fogo, em 7 de abril, os dois países trocaram ataques esporádicos. O Irã atingiu alvos em países do Golfo Pérsico, incluindo os Emirados Árabes Unidos.
Real ganha força no mercado
No Brasil, especialistas apontaram fatores internos e externos para explicar o fortalecimento da moeda brasileira diante do dólar.
“No Brasil, a combinação entre dólar mais fraco globalmente, diferencial de juros ainda elevado, fluxo para emergentes e melhora dos termos de troca — favorecida pelo petróleo acima de US$100 — sustentou a apreciação do real”, afirmou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
O analista destacou ainda que o cenário favoreceu moedas ligadas a commodities. “Esse conjunto de fatores levou o câmbio a voltar a operar próximo das mínimas do ano, refletindo um ambiente ainda favorável para moedas ligadas a commodities e carry.”
Mercado futuro acompanha queda
No mercado futuro, o dólar para junho — contrato mais negociado atualmente na B3 — recuou 0,83%, encerrando o dia cotado a R$ 4,9180.
O desempenho da moeda norte-americana reforçou o movimento recente de valorização do real, impulsionado pela combinação entre fluxo externo, juros elevados no Brasil e melhora das perspectivas internacionais.


