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      Deyvid Bacelar: “Brasil precisa correr contra o tempo para garantir exploração de petróleo na Margem Equatorial”

      Segundo o coordenador da FUP, o pré-sal responde por quase 80% da produção atual de petróleo no país, mas a produção pode cair nos próximos anos

      Deyvid Bacelar (Foto: AGÊNCIA CÂMARA)
      Leonardo Lucena avatar
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      247 - O coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, disse nesta segunda-feira (18) que o Brasil precisa correr contra o tempo para garantir, com a Margem Equatorial, a autossuficiência na produção de petróleo e não precisar depender de importação. De acordo com o dirigente, o pré-sal responde por quase 80% da produção atual de petróleo no país. Mas a partir de 2032 começará o declínio nessa produção. 

      “O Ibama não está levando em consideração o tempo correto e a urgência que o país tem de iniciar a prospecção na região. O Brasil será autossuficiente na produção de petróleo somente até 2032”, destacou Bacelar, que é também membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (CDESS), do governo Lula. “Se nada for feito, a partir de 2036 o Brasil terá necessidade de importar petróleo. Em 2032 a queda será muito brusca”.

      Para Bacelar, mesmo com o avanço dos investimentos na produção de energias renováveis, o Brasil não terá como atender a demanda nacional. “Um dos interesses dos Estados Unidos é nos manter dependentes desse mercado gigantesco de combustíveis e de bigtechs. Isso não está sendo levado em consideração pelo Ibama e pelo Ministério de Meio Ambiente”, afirmou o sindicalista.

      A Margem Equatorial, que no Brasil compreende uma área que vai desde o Amapá até o Rio Grande do Norte, já vem sendo explorada por países como a Guiana Francesa e o Suriname. A expectativa, segundo os estudos da Petrobras, é de que a reserva tenha cerca de 30 bilhões de barris. 

      “O petróleo pode gerar uma riqueza significativa no Norte e o Nordeste, que têm hoje o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Essas duas regiões não podem ficar de fora dessa possibilidade de desenvolvimento a partir dos royalties do petróleo”, explicou Bacelar.

      O coordenador da FUP disse que a exploração “não poderá ser feita a qualquer custo e de qualquer jeito. Queremos que essa riqueza traga a proteção da floresta amazônica, e o desenvolvimento sustentável precisa contemplar as comunidades ribeirinhas, quilombolas e os povos originários”.

      Bacelar mais uma vez pediu que haja bom senso por parte do Ibama e do Ministério do Meio Ambiente. “Se trata de licenciamento de um poço pioneiro para somente após seis anos construir plataformas e toda a estrutura logística. Comparar essa região, que tem toda essa potencialidade, com uma nova Serra Pelada não se encaixa na realidade. Não estamos falando de algo que será feito em terra, dentro da floresta. E mesmo que fosse em terra, já temos exploração petrolífera da Petrobras em Urucu, no coração da selva amazônica, sem nenhuma evidência ou relato de acidente ambiental”, continuou. 

      “Todo recurso oriundo da Margem Equatorial deverá ser utilizado no financiamento da transição energética. Nossa matriz energética já é 50 por cento renovável e a de energia elétrica, 90 por cento renovável. Não podemos aceitar que ONGs financiadas por petrolíferas internacionais determinem, a partir de regras do Norte Global, aquilo que poderá ser feito no Brasil. Se nós não resolvermos isso agora, durante um governo popular e desenvolvimentista, quando chegarmos lá na frente e houver a capotagem de novo para a terra plana, essa área vai ser entregue a petrolíferas internacionais que não terão o mesmo cuidado com o meio ambiente que a Petrobras tem”.

      Bacelar disse que vai procurar mais uma vez, nesta semana, o presidente do Ibama, após o grande simulado que a Petrobras fará na região, quando será verificada a capacidade de resposta que a empresa teria em caso de um acidente ambiental.

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