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Brasil busca novos fornecedores de fertilizantes diante de indefinição no estreito de Ormuz

Governo Lula amplia negociações com Cazaquistão e Uzbequistão para reduzir impacto da guerra no Oriente Médio

Agricultor espalha fertilizantes em Brasília (Foto: Adriano Machado / Reuters)
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247 - O governo brasileiro iniciou uma ofensiva diplomática para buscar alternativas à importação de fertilizantes em meio às incertezas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica localizada no Golfo Pérsico. Segundo a CNN Brasil, as articulações são conduzidas pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, durante viagem oficial à Ásia.

A preocupação do Palácio do Planalto é evitar impactos mais severos no agronegócio brasileiro diante da escalada da tensão no Oriente Médio. O foco das negociações está na ampliação de acordos comerciais com países da Ásia Central, especialmente Cazaquistão e Uzbequistão, fornecedores de insumos à base de fosfatos, ureia e amônia.

A missão brasileira reúne integrantes do Itamaraty, representantes do Ministério da Agricultura e técnicos da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). O objetivo é diversificar fornecedores e reduzir a dependência de mercados afetados pelo conflito na região do Golfo.

A maior preocupação do governo brasileiro está relacionada aos fertilizantes nitrogenados, produzidos a partir do gás natural. O aumento da instabilidade internacional já começou a pressionar os preços desses insumos. Em março, a ureia registrou alta de 13%, elevando o alerta entre produtores rurais e autoridades econômicas.

Em entrevista à CNN Brasil, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, classificou o cenário como uma “situação preocupante”. Segundo ele, os efeitos imediatos ainda são limitados porque os fertilizantes utilizados na safra de verão foram adquiridos antes do agravamento do conflito.

O ministro explicou que a safrinha atualmente em plantio também conta com estoques previamente comprados, o que ajuda a reduzir os impactos no curto prazo. Ainda assim, ressaltou a necessidade de preparar respostas para eventuais dificuldades futuras no abastecimento global.

“A gente tem de torcer pelo fim da guerra, mas também estudar alternativas. Como, por exemplo, compensar com a aquisição de mais fertilizantes”, afirmou Carlos Fávaro à CNN Brasil.

A visita ao Uzbequistão também possui relevância diplomática. É a primeira vez que um chanceler brasileiro realiza uma agenda bilateral oficial no país, considerado uma das economias emergentes de maior crescimento no mundo. Apenas no ano passado, o Uzbequistão recebeu cerca de US$ 43 bilhões em investimentos estrangeiros diretos.

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