HOME > Economia

Brasil alcança 100 mil veículos eletrificados em 2026, diz Anfavea

País acelera crescimento com avanço da produção local e aumento das importações chinesas

Brasil alcança 100 mil veículos eletrificados em 2026, diz Anfavea (Foto: Divulgação BYD)

247 - O Brasil alcançou a marca de 100 mil veículos eletrificados emplacados nos primeiros meses de 2026, consolidando o avanço desse segmento no mercado automotivo. O desempenho reflete a expansão das vendas, o crescimento da produção nacional e a maior presença de veículos importados, especialmente da China, em um cenário de transformação da indústria.

Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, com base em dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o volume registrado até o início de abril praticamente dobrou em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 54 mil emplacamentos.

De acordo com o presidente da Anfavea, Igor Calvet, o resultado surpreendeu o setor e indica uma tendência de consolidação dos eletrificados no país. “Cem mil emplacamentos de eletrificados é um número bastante surpreendente e temos que observar que eles se consolidam mês após mês como realidade no mercado brasileiro”, afirmou. Ele destacou ainda que a média mensal de crescimento tem se mantido em torno de 15%.

Outro dado relevante é o avanço da produção nacional. Nos primeiros meses de 2026, 42% dos veículos eletrificados vendidos foram fabricados no Brasil, um salto em relação aos 23% registrados no mesmo período do ano passado. Para Calvet, esse movimento reforça a necessidade de fortalecimento da indústria local.

O executivo também comentou o aumento da presença de montadoras chinesas no país. Segundo ele, a Anfavea não se opõe à entrada de novos investimentos estrangeiros, mas defende que as empresas ampliem sua base produtiva no Brasil. “O interesse dos chineses se dá também em outros segmentos da economia e não há vedação para isso. O que defendemos é que a chegada dos chineses não se dê apenas na linha de comercialização”, disse.

Ele acrescentou que a consolidação do mercado deve ocorrer de forma gradual. “Empresas chegando com carros elétricos estão testando o novo mercado e haverá uma acomodação natural. Mas defendemos que as empresas ‘enraizem’ sua produção por aqui, o que será saudável para o mercado brasileiro”, completou.

Os números da Anfavea mostram que a China assumiu a liderança nas exportações de veículos para o Brasil. Entre janeiro e março de 2026, 54,2 mil unidades importadas vieram do país asiático, alta de 68,9% em relação ao mesmo período de 2025. A Argentina, que historicamente ocupava essa posição, perdeu espaço. “Há oito meses consecutivos que os chineses são os maiores exportadores de veículos para o Brasil”, afirmou Calvet.

O dirigente ressaltou que a entidade não faz distinção quanto à origem do capital, mas defende um modelo industrial mais robusto. Segundo ele, o setor automotivo brasileiro emprega cerca de 1,3 milhão de pessoas e responde por aproximadamente 20% do PIB industrial. “Esse modelo que foi criado no Brasil emprega 1,3 milhão de pessoas e representa 20% do Produto Interno Bruto Industrial. Foi a escolha de um modelo de produção que não pode ser mudado da noite para o dia”, disse.

Calvet também comentou o fim da isenção de imposto de importação para kits CKD e SKD de veículos eletrificados, encerrada em janeiro. Ele afirmou que a entidade trabalha com a expectativa de que o benefício não seja retomado. “Trabalhamos com o cenário de que a isenção não será retomada e o compromisso do governo está sendo cumprido. Mas se o assunto voltar, a Anfavea não mudou de posição”, declarou.

No campo tributário, a principal preocupação do setor é a regulamentação do imposto seletivo previsto na reforma tributária. O tributo deve incidir sobre veículos poluentes, mas ainda há incertezas sobre os critérios. “Há imprevisibilidade e insegurança no setor sobre o assunto. O setor automotivo tem um grande portfólio de produtos e ainda não sabemos qual imposto incidirá sobre eles”, afirmou o presidente da Anfavea.

Além do avanço dos eletrificados, o setor automotivo registrou forte desempenho em março. O mês foi o melhor em volume de emplacamentos desde 2013, com 269,4 mil unidades vendidas, crescimento de 45% em relação a fevereiro e de 37,5% na comparação anual.

No acumulado do primeiro trimestre, as vendas somaram 625,1 mil veículos, alta de 13,3% frente ao mesmo período de 2025. Já a produção atingiu 264,1 mil unidades em março, o melhor resultado mensal desde outubro de 2019, com crescimento de 35,6% na comparação anual.

Apesar do desempenho positivo, a Anfavea mantém cautela quanto ao restante do ano. “Março surpreendeu, mas o foco está em abril. Março foi diferente do que estávamos esperando, mas não dá ainda para dizer que é uma tendência pro restante do ano”, disse Calvet, citando fatores como juros elevados, oscilações do dólar e instabilidade internacional como elementos de atenção para o setor.

Artigos Relacionados