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Paramount reforça proposta pela Warner Bros e aumenta a pressão sobre a Netflix

A proposta prevê US$ 0,25 por ação a cada três meses caso a operação não termine após dezembro de 2026, o que representaria US$ 650 milhões por trimestre

Paramount e Netflix (Foto: Dado Ruvic/Reuters)

247 - A Paramount Skydance anunciou novos ajustes em sua proposta para adquirir a Warner Bros. Discovery, em meio à disputa com a Netflix pelo controle do grupo de mídia. A empresa informou que pretende pagar uma taxa adicional de US$ 0,25 por ação a cada três meses caso a operação não seja concluída após dezembro de 2026, o que representaria cerca de US$ 650 milhões em dinheiro por trimestre a partir do início de 2027.

As informações foram divulgadas inicialmente pela Reuters, que detalhou que, apesar das mudanças, a Paramount manteve o valor total da oferta em US$ 30 por ação, o equivalente a US$ 108,4 bilhões quando consideradas as dívidas da Warner Bros. Discovery e seus ativos, incluindo as operações de televisão a cabo.

Segundo a proposta, a Paramount também se compromete a arcar com a multa rescisória de US$ 2,8 bilhões que a Warner Bros. teria de pagar à Netflix, atual parceira escolhida, caso a negociação entre as duas empresas não avance. A estratégia busca tornar a oferta mais atrativa aos acionistas e reduzir riscos financeiros associados à mudança de pretendente.

Tanto a Netflix quanto a Paramount demonstram forte interesse na Warner Bros. por seus estúdios de cinema e televisão, pela extensa biblioteca de conteúdos e por franquias consolidadas como “Game of Thrones”, “Harry Potter” e os personagens da DC Comics, entre eles Batman e Superman. No plano apresentado, a Paramount, controladora da CBS, ficaria também com as redes de televisão da Warner Bros., incluindo CNN e TNT.

De acordo com a estrutura proposta, esses ativos de TV a cabo seriam separados previamente em uma empresa independente, chamada Discovery Global, que passaria a ser negociada de forma autônoma antes da eventual fusão da Warner Bros. com a Netflix. Esse modelo é um dos pontos centrais do debate entre investidores e analistas.

Analistas ouvidos pela Reuters avaliam que a nova proposta da Paramount indica confiança de que o acordo entre Warner Bros. e Netflix possa enfrentar obstáculos regulatórios. Ainda assim, há dúvidas sobre a capacidade da oferta de convencer acionistas que esperavam um aumento direto no preço por ação.

O analista sênior da Emarketer, Ross Benes, manifestou ceticismo em relação à estratégia. “É improvável que o acordo mais vantajoso afaste a WBD da Netflix e a aproxime da Paramount. A Paramount está jogando espaguete na parede e esperando que algo grude?”, afirmou. Segundo ele, além de elevar o valor da oferta, a principal chance da Paramount seria uma eventual rejeição do acordo com a Netflix por reguladores externos.

A Paramount também anunciou medidas adicionais para responder a críticas do conselho de administração da Warner Bros. A empresa declarou que apoiará a troca de dívida planejada pela Warner, oferecendo o reembolso integral de uma taxa potencial de US$ 1,5 bilhão devida a detentores de títulos. Ao mesmo tempo, informou que não pretende reduzir a taxa de rescisão reversa separada de US$ 5,8 bilhões que seria paga à Netflix caso a fusão não seja concluída.

O presidente-executivo da Paramount, David Ellison, defendeu os ajustes apresentados. “Estamos fazendo melhorias significativas apoiando esta oferta com bilhões de dólares, proporcionando aos acionistas certeza de valor, um caminho regulatório claro e proteção contra a volatilidade do mercado”, disse em comunicado.

A empresa também elevou para US$ 43,3 bilhões a garantia pessoal do cofundador da Oracle, Larry Ellison, e informou que planeja financiar a operação com cerca de US$ 54 bilhões em dívidas junto a instituições como Bank of America, Citigroup e Apollo. Além disso, a Paramount afirmou estar aberta a discutir soluções contratuais com a diretoria da Warner Bros. para lidar com a possibilidade de deterioração do desempenho financeiro da Discovery Global além do previsto.

Segundo a companhia, a proposta da Netflix deixaria os acionistas da Warner Bros. expostos a maior incerteza, já que o valor em dinheiro a ser recebido dependeria exclusivamente da situação financeira da Discovery Global no momento da cisão. A Paramount estimou que, caso a nova empresa seja desmembrada com alavancagem semelhante à usada pela Comcast na separação de redes da NBCUniversal para a Versant, o valor da oferta da Netflix poderia cair para US$ 23,20 por ação.

A Paramount prorrogou o prazo de validade de sua proposta até 20 de fevereiro. Para a Netflix, a incorporação dos principais ativos da Warner Bros., de séries como “Friends” a personagens como Batman, ampliaria seu poder cultural e abriria espaço para novos derivados exclusivos para o streaming, além de consolidar a empresa como a maior plataforma global do setor, com cerca de meio bilhão de assinantes.

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