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USP concede título de Doutor Honoris Causa a Vladimir Herzog e homenageia legado à imprensa

Universidade homenageia jornalista morto na ditadura e reconhece legado à comunicação e aos direitos humanos

Vladimir Herzog (Foto: Reprodução)

247 - O Conselho Universitário da Universidade de São Paulo (USP) aprovou por unanimidade, na terça-feira (24), a concessão do título de Doutor Honoris Causa in memoriam ao jornalista Vladimir Herzog. A proposta partiu da Escola de Comunicações e Artes (ECA) e reconhece a contribuição do profissional à comunicação pública e à defesa dos direitos humanos.

Segundo a universidade, a honraria é destinada a personalidades que tenham contribuído de forma notável para o avanço das ciências, das letras ou das artes, ou que tenham prestado serviços relevantes à instituição, ao país ou à humanidade.

Criada há mais de 92 anos, a USP concedeu até hoje 124 títulos de Doutor Honoris Causa. O último havia sido aprovado em março de 2025, quando o artista e arquiteto Sérgio Ferro recebeu a distinção.

No projeto encaminhado ao Conselho Universitário, a ECA destacou que Herzog atuou com compromisso em favor da comunicação pública, do acesso à informação de qualidade e da formação de novas gerações de profissionais. O documento também ressalta que a homenagem ocorre no ano em que se completaram 50 anos de seu assassinato, configurando um reconhecimento histórico.

Durante a sessão que aprovou o título, a diretora da ECA, Clotilde Perez, afirmou que a decisão expressa o posicionamento institucional da universidade em defesa dos direitos humanos, da liberdade de expressão e da excelência acadêmica em ambiente democrático.

Trajetória de Vladimir Herzog

Vladimir Herzog nasceu em 1937, na cidade de Osijek, então parte da Iugoslávia — atual Croácia. Ainda na infância, imigrou com a família para o Brasil, que fugia da perseguição nazista. Formado em Filosofia pela USP, iniciou a carreira no jornal O Estado de S. Paulo.

Posteriormente, trabalhou na BBC, em Londres, e atuou em veículos como a revista Visão, o jornal Opinião e a TV Cultura. Sua produção foi marcada pelo jornalismo cultural e pela defesa da responsabilidade social da imprensa. Herzog também participou da produção cinematográfica brasileira nos anos 1960.

Em 25 de outubro de 1975, foi convocado a prestar depoimento no DOI-Codi, órgão de repressão do regime militar, em São Paulo. No mesmo dia, morreu nas dependências do local. À época, o Exército divulgou que se tratava de suicídio, versão posteriormente contestada por investigações judiciais e por evidências reunidas pela família e testemunhas.

Em 1978, a Justiça reconheceu a responsabilidade da União por sua prisão arbitrária, tortura e morte, consolidando o caso como um dos episódios emblemáticos das violações de direitos humanos ocorridas durante a ditadura militar no Brasil.

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