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Proposta de Flávio Dino de reforma no Judiciário provoca embate político

Chefe da campanha de Flávio Bolsonaro critica e Gleisi Hoffmann elogia proposta do ministro do STF

Ministro Flávio Dino, 15 de abril de 2026 (Foto: Gustavo Moreno/STF)

247 - A proposta de reforma no Judiciário defendida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, desencadeou reações opostas entre lideranças políticas, evidenciando a polarização em torno do tema. A iniciativa, que busca mudanças estruturais no sistema de Justiça, foi criticada por Rogério Marinho (PL-RN), enquanto recebeu elogios de Gleisi Hoffmann.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, Dino argumenta que o STF tem sido alvo de maior escrutínio por atuar em temas sensíveis, como negacionismo climático e defesa da democracia.

O ministro defende a necessidade de uma reforma ampla, indo além de alterações pontuais. Ele critica propostas que considera superficiais e afirma que mudanças devem ser estruturais, afastando medidas de caráter meramente retaliatório. Dino também apresentou 15 eixos para um redesenho normativo do sistema de Justiça, incluindo a revisão de dispositivos do Código Penal relacionados a crimes contra a Administração da Justiça e mudanças nas competências constitucionais dos tribunais superiores.

A proposta foi bem recebida por Gleisi Hoffmann, que associou o aumento das críticas ao STF às decisões recentes da Corte, especialmente em relação aos atos de 8 de janeiro. “Fortalecer o sistema de justiça para que os direitos de todas e todos brasileiros sejam efetivados de forma rápida e confiável, esse deve ser o objetivo de uma reforma no Judiciário, como bem disse o ministro Dino ‘O Brasil precisa de mais Justiça, não menos’”, afirmou.

No campo da oposição, a reação foi distinta. Rogério Marinho, líder oposicionista no Senado e chefe da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência, questionou a convergência entre o posicionamento de Dino e propostas defendidas pelo Partido dos Trabalhadores (PT). “A convergência entre o artigo do ministro Flávio Dino e a defesa de reforma do Judiciário pelo Partido dos Trabalhadores no mesmo dia levanta dúvidas legítimas sobre a condução desse debate”, declarou.

Marinho afirmou que considera necessária uma reforma no Judiciário, mas defendeu que o protagonismo deve ser do Legislativo. Ele apontou temas que, em sua avaliação, estariam sendo ignorados, como decisões monocráticas e a atuação de parentes de ministros em processos que possam ser julgados por eles.

O debate ocorre em meio à discussão interna do PT sobre reformas estruturais, incluindo o Judiciário, tema que deve ser consolidado em congresso partidário previsto para o fim de abril, em Brasília.

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