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Lula alertou ministros do STF sobre desgaste da Corte

Em jantar com representantes o Supremo, presidente defendeu cautela em um momento de “cansaço” da opinião pública

Lula alertou ministros do STF sobre desgaste da Corte (Foto: Gustavo Moreno/STF )

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) preocupação com o desgaste da imagem da Corte, em um contexto de crescente escrutínio público e forte repercussão de temas envolvendo o Judiciário. A avaliação foi apresentada em um encontro reservado realizado na Granja do Torto, em Brasília, reunindo integrantes do tribunal para uma conversa informal sobre o cenário político e institucional do país. As informações são da jornalista Mônica Bérgamo, da Folha de São Paulo.

O presidente se reuniu com ministros em um jantar ocorrido há cerca de uma semana, na véspera da abertura do ano judiciário, em 2 de fevereiro. Estiveram presentes o decano do STF, Gilmar Mendes, e os ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Flávio Dino.

Segundo relatos, Lula convidou os magistrados para “um bate-papo” de início de ano, motivado pelas pautas que vêm dominando o noticiário. Na conversa, o presidente avaliou que o país atravessa um momento de “cansaço” da opinião pública, marcado por cobranças intensas e vigilância constante sobre autoridades. Para ele, o ambiente das redes sociais amplia esse cenário, já que até mesmo atos considerados honestos podem ser distorcidos e transformados em escândalos.

Diante desse contexto, Lula afirmou que o momento exige cautela, com atenção redobrada à exposição excessiva e aos efeitos de cada decisão tomada. Autoridades com responsabilidades públicas e políticas, disse o presidente, precisam estar mais alertas do que o habitual e evitar problemas, pois “o momento é outro”.

Na avaliação do presidente, esse cuidado seria especialmente necessário no caso do STF, em razão do papel central que a Corte cumpriu — e ainda cumpre — na preservação da democracia. Por isso, segundo os relatos, Lula defendeu que os ministros adotem uma postura de autoproteção institucional.

O presidente não mencionou diretamente os episódios que alimentaram questionamentos recentes, como o contrato de R$ 129 milhões firmado entre o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e o banco Master, nem a condução do processo envolvendo a instituição, relatado pelo ministro Dias Toffoli. Ainda assim, Lula teria sugerido que os colegas conversassem com Toffoli, um dos magistrados mais expostos, em razão de críticas relacionadas a viagens em avião particular de um empresário ao lado de um dos advogados do caso e a negócios mantidos por familiares com fundos ligados ao banco.

Durante o encontro, Lula também deixou claro que não vê com bons olhos o debate sobre a adoção de um código de ética pelo STF, iniciativa patrocinada pelo presidente da Corte, Edson Fachin. Segundo os relatos, o presidente não considera a proposta negativa em si, mas questiona o momento e a forma como o tema vem sendo conduzido. Para Lula, a discussão pública, impulsionada pela imprensa, estaria dando fôlego a um movimento de críticas oportunistas ao Supremo.

Na mesma conversa, o presidente elogiou a atuação do Banco Central no processo de liquidação do banco Master, classificado por ele como técnico e bem conduzido. Lula também sinalizou que não haverá recuo nas investigações em andamento, mesmo que elas venham a atingir integrantes do próprio governo.

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