Líder do PT cobra CPMI do Banco Master e mira Ciro e Flávio
Pedro Uczai citou R$ 500 mil mensais, imóvel de R$ 22 milhões e mansão de R$ 6 milhões ao defender apuração
247 - O líder do PT na Câmara, deputado federal Pedro Uczai (PT-SC), cobrou nesta segunda-feira (11) a abertura imediata de uma CPMI do Banco Master e apontou, em discurso, suspeitas que envolvem R$ 500 mil mensais atribuídos ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), a compra de um apartamento de R$ 22 milhões, uma mansão de R$ 6 milhões ligada ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e mais de R$ 1 bilhão aplicados por um fundo de previdência do Rio de Janeiro em títulos do banco. As informações são do discurso do parlamentar.
Uczai afirmou que setores políticos articulam um “acordão” para impedir investigações sobre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Segundo o líder petista, a apuração precisa alcançar Ciro Nogueira, ex-ministro de Jair Bolsonaro (PL), Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro, atualmente preso, além de negócios financeiros e eleitorais que, de acordo com o deputado, devem entrar no escopo da comissão.
“Fizeram acordão para não investigar o Banco Master”, disse Uczai ao defender a instalação da CPMI. O parlamentar declarou que investigações da Polícia Federal indicam repasses mensais de R$ 500 mil de Vorcaro a Ciro Nogueira. Ele também associou o senador à compra de um apartamento em São Paulo por R$ 22 milhões no período em que apresentou um projeto para ampliar os limites de garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), medida que, segundo Uczai, favoreceria correntistas do Banco Master.
O deputado também afirmou que a futura comissão deve apurar a relação entre o BRB e Flávio Bolsonaro. Segundo Uczai, o senador comprou uma mansão em Brasília por R$ 6 milhões, com parte do financiamento contratada junto ao banco em condições que ele classificou como privilegiadas. “Por isso que a gente está chamando de Bolsomaster: interesses defendendo, aqui, duas organizações criminosas”, declarou o líder do PT.
Uczai ampliou o conjunto de alvos que, na avaliação dele, precisa integrar a investigação parlamentar. O deputado cobrou que a CPMI também analise a atuação do BRB, negócios associados ao governo do Distrito Federal e a gestão anterior do banco. “Investigação já! CPMI já, do Banco Master! CPI para investigar o BRB e as falcatruas do Ibaneis (ex-governador bolsonaristas do DF) e do ex-presidente do Banco”, afirmou.
O líder petista também defendeu que a comissão investigue o fundo de previdência de funcionários públicos do Rio de Janeiro. Segundo ele, o fundo aplicou mais de R$ 1 bilhão em títulos que o parlamentar classificou como “podres” do Banco Master. Uczai ainda pediu apuração sobre o financiamento das campanhas de Jair Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio Freitas, em 2022, que teriam recebido suporte de Daniel Vorcaro, conforme sustentou o deputado em seu discurso.
Ao final, Uczai vinculou o caso a uma disputa política em torno da transparência e da responsabilização de agentes públicos e privados. O parlamentar afirmou que a tentativa de impedir a CPMI protegeria personagens ligados ao campo bolsonarista e defendeu que o Congresso avance com a investigação.



