HOME > Brasil

Galípolo nega conversa com Moraes sobre caso Master

Presidente do BC diz que tratou sobre a Lei Magnitsky com o ministro do STF

Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante coletiva de imprensa, em Brasília - 27/03/2025 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 - O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira (8) que não discutiu com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), temas relacionados à liquidação do Banco Master ou à situação do banqueiro Daniel Vorcaro. A declaração foi feita durante participação na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado.

Galípolo destacou que manteve encontros com integrantes do STF para tratar das repercussões da chamada Lei Magnitsky — legislação norte-americana que impõe sanções a autoridades estrangeiras —, mas reforçou que as conversas ocorreram em ambiente institucional e sem relação com o caso do Banco Master.

Durante o depoimento, o presidente do BC enfatizou o caráter das interações com os ministros do Supremo. “O ministro Alexandre — ou qualquer outro ministro do Supremo — sempre teve uma relação da mais cordial comigo. Eu sei que, muitas vezes, há ilações, mas a relação é da mais cordial”, declarou.

Galípolo explicou que o contexto das reuniões foi marcado por forte instabilidade no sistema financeiro ao longo de 2025. Segundo ele, a crise associada à Lei Magnitsky foi uma das mais complexas do período. “De todas as crises que a gente teve ao longo de 2025, talvez a mais complexa, do ponto de vista sistêmico, foi a reunião relativa à Magnitsky. Existiam informações que vinham a público e você tinha um bombardeio na internet, que, inclusive, geravam ameaça sobre a solvência de grandes instituições”, afirmou.

Ainda de acordo com o presidente do Banco Central, os encontros com ministros do STF exigiram cautela tanto pela repercussão pública quanto pela necessidade de preservar informações sigilosas. “Essas reuniões tinham dois tipos de cuidados que precisam ser tomados: de um lado, a publicidade sobre a reunião ensejando qualquer tipo de ilação que pudesse se reverter em risco financeiro”, disse. “De outro lado, cada um desses ministros que estavam envolvidos na Magnitsky tinham discussões que envolviam a privacidade dos sigilos bancário e financeiro, da qual eu tenho a obrigação de zelar e não dar publicidade sobre isso. E reforço a questão da cordialidade: era um momento muito difícil para todos que estavam ali”, acrescentou.

Galípolo também relatou que participou de uma reunião no Palácio do Planalto, em 4 de dezembro, com o banqueiro Daniel Vorcaro e outras autoridades. Segundo ele, os acionistas do Banco Master alegavam dificuldades no mercado. “Os acionistas do Master relatavam sempre uma história de que eles estavam sendo perseguidos pelo mercado financeiro e que a dificuldade deles de fazer captação era essa perseguição em função da concorrência que eles estavam entrando, algo que não era muito aderente dado ao tamanho do banco”, disse.

De acordo com o presidente do BC, após ouvir os relatos, ele encaminhou o caso para análise técnica dentro da instituição. Também participaram do encontro o ministro Rui Costa, o ex-ministro Guido Mantega e Augusto Lima, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB).

O nome de Alexandre de Moraes chegou a constar por cinco meses na lista de sanções da Lei Magnitsky, durante a gestão de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos. À época, o magistrado foi acusado pelo governo norte-americano de supostos abusos de direitos humanos e restrições à liberdade de expressão.

Artigos Relacionados