Galípolo diz que afastamento de servidores no caso Master causou “luto” no Banco Central
Presidente do BC classificou episódio como um dos mais graves da história da instituição durante sessão no Senado
247 - O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta terça-feira (19) que o afastamento de dois servidores da instituição investigados por suposta colaboração com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, provocou um sentimento de “efetivo luto” entre os técnicos do órgão. As declarações foram dadas durante sessão da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.
Ao comentar o caso, Galípolo classificou o episódio como “gravíssimo” e destacou o impacto institucional causado pelas investigações conduzidas pela Polícia Federal. Segundo a apuração, os servidores Paulo Sérgio de Souza e Belline Santana teriam atuado como “colaboradores informais” de Vorcaro em interlocuções com o Banco Central.
“Quero fazer uma fala para não parecer de forma alguma que estou reduzindo o que foi gravíssimo, só a Justiça vai determinar o que aconteceu, que é o afastamento de dois servidores do BC de carreira, um dos fatos mais graves que já aconteceu na história do BC, todo o corpo técnico do BC sente um efetivo luto com o que aconteceu”, declarou Galípolo durante a audiência.
O presidente do BC respondeu a questionamentos do senador Renan Calheiros (MDB-AL) sobre falhas e desafios na fiscalização bancária brasileira. Durante sua fala, Galípolo reforçou que a definição das responsabilidades caberá ao Judiciário, mas ressaltou que os indícios levantados até agora já provocaram forte repercussão interna na autarquia.
“A Justiça que vai determinar o que ocorreu, mas os indícios em si já foram muito graves, e causaram uma grande sensibilização por parte de todos servidores, eu incluso”, afirmou.
Os dois investigados ocupavam posições estratégicas na estrutura de supervisão bancária do Banco Central. Belline Santana exercia o cargo de chefe do Departamento de Supervisão Bancária, enquanto Paulo Sérgio de Souza atuava como chefe-adjunto da área. Souza também comandou a Diretoria de Fiscalização do BC entre 2017 e 2023.
Os servidores já haviam sido afastados administrativamente pelo Banco Central em janeiro deste ano, no contexto de uma auditoria interna. Posteriormente, em março, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o afastamento deles de funções públicas.
Durante a sessão no Senado, Galípolo também aproveitou para defender mudanças estruturais na fiscalização do sistema financeiro brasileiro. Segundo ele, o Banco Central opera com limitações legais e enfrenta desafios adicionais decorrentes do funcionamento contínuo do Pix.
“O Brasil tem duas complexidades, a primeira é que eu não tenho a legislação que a maior parte dos bancos tem, é defasada, combina-se a isso o fato de que eu sou basicamente o único banco que tem o sistema 24/7 que funciona com adesão que o Pix funciona. É um sistema mais complexo com menos recursos, o que é altamente complexo para nós”, disse.
Galípolo ainda voltou a defender maior autonomia financeira para o Banco Central, argumentando que a instituição precisa de mais capacidade para direcionar recursos à supervisão e ao fortalecimento da fiscalização bancária.
“O segundo começa com a discussão de qual é o arcabouço legal de outros países, e muitas vezes se fala de autonomia, que pode passar a ideia errada, a intenção é que se preste mais contas ainda ao Congresso e Executivo, mas que você possa deter os recursos que hoje são recursos do BC para isso”, concluiu.



