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Flávio Bolsonaro manteve como assessor ex-diretor da Caixa acusado de assédio sexual

Celso Leonardo Barbosa foi demitido do banco público em 2022 após acusações de assédio sexual e atuava como assessor parlamentar desde junho de 2025

Celso Leonardo Barbosa e Flávio Bolsonaro (Foto: Celso Leonardo Barbosa / Reprodução - Flávio Bolsonaro / Adriano Machado/Reuters - Montagem / IA-Dall-E)
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247 - O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) manteve até esta semana em seu gabinete no Senado o ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal Celso Leonardo Barbosa, demitido do banco público em 2022 após acusações de assédio sexual.

Segundo a Folha de São Paulo, Celso Leonardo atuava como assessor parlamentar desde junho de 2025 e recebia salário mensal de R$ 20,7 mil. O ex-dirigente foi exonerado após o gabinete de Flávio Bolsonaro ser questionado pela imprensa sobre sua permanência na equipe.

Em nota, o senador afirmou que o caso envolve fatos “extremamente graves”. “As informações reveladas pela reportagem são extremamente graves e incompatíveis com a conduta exigida de qualquer integrante da equipe parlamentar”, disse Flávio Bolsonaro no texto.

Ex-dirigente admitiu culpa em processo

De acordo com a reportagem, Celso Leonardo firmou acordo de não persecução penal com a Justiça em um processo relacionado a assédio sexual. No acordo, ele assumiu responsabilidade pelo caso e cumpriu prestação de serviços comunitários.

As denúncias surgiram durante sua passagem pela Caixa Econômica Federal. Uma funcionária relatou ter sido assediada durante uma viagem do programa Caixa Mais Brasil, em Goiás.

O ex-dirigente também foi citado em reportagem exibida pelo Fantástico, da TV Globo, em 2022. Na ocasião, uma servidora afirmou que Celso Leonardo teria acobertado abusos atribuídos ao então presidente da Caixa, Pedro Guimarães.

Flávio Bolsonaro diz que assessor omitiu pendências judiciais

Após ser procurado pela reportagem, Flávio Bolsonaro afirmou que o ex-assessor não informou ao gabinete sobre questões judiciais relevantes.

“Ele omitiu da chefia imediata pendências judiciais relevantes e, além disso, infringiu de forma grave as normas do Senado Federal ao exercer atividades particulares durante o horário de expediente”, disse o senador.

Flávio também afirmou que o desligamento ocorreu imediatamente após a análise do caso. “O gabinete não compactua com qualquer desvio de conduta, abuso de confiança ou descumprimento das obrigações funcionais. Diante da gravidade dos fatos, o desligamento foi realizado de forma imediata”, declarou.

Acusações incluem falsidade ideológica

Além do processo envolvendo assédio sexual, Celso Leonardo também responde a uma ação do Ministério Público Federal por suposta falsidade ideológica. Segundo a denúncia, ele teria inserido informações falsas em documentos usados para viabilizar sua indicação ao cargo de vice-presidente da Caixa Econômica Federal. Celso Leonardo ocupou o posto durante a gestão de Pedro Guimarães, presidente da instituição no governo Jair Bolsonaro (PL).

Atividades privadas durante expediente

A reportagem também apontou que Celso Leonardo mantinha atividades profissionais paralelas enquanto trabalhava no Senado. Em redes sociais e em sua página pessoal, ele se apresentava como “professor, palestrante, mentor, autor, investidor anjo e especialista em gestão, estratégia, inovação, IA e empreendedorismo”.

A Folha identificou registros de palestras e cursos realizados em diferentes estados durante dias úteis e horários coincidentes com o expediente parlamentar. Entre os eventos divulgados estão participações em atividades no Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo.

Fundação Dom Cabral reavalia participação

A Fundação Dom Cabral informou, em nota, que Celso Leonardo atua apenas como professor convidado eventual e não possui vínculo empregatício com a instituição. “A atuação de professores convidados ocorre de forma pontual, conforme demanda específica de programas e projetos educacionais”, afirmou a entidade.

A instituição também declarou que a participação futura do profissional está sendo reavaliada após a divulgação das informações. “A FDC reafirma seu compromisso com um ambiente de respeito, integridade e responsabilidade institucional”, concluiu.

Celso Leonardo não respondeu aos contatos realizados pela reportagem para comentar o caso.

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