Durigan diz que buscará esclarecimentos com os EUA sobre classificação de facções como terroristas
Ministro da Fazenda afirma que governo brasileiro está comprometido no combate ao crime e critica decisão americana às vésperas das eleições
247 - O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (1º) que pretende entrar em contato com autoridades dos Estados Unidos nos próximos dias para buscar esclarecimentos sobre a decisão do governo norte-americano de classificar as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. As declarações foram feitas em entrevista à rádio CBN.
Segundo Durigan, o governo brasileiro mantém compromisso firme com o enfrentamento das organizações criminosas e considera necessário esclarecer os impactos e as motivações da medida adotada por Washington.
Ao comentar o tema, o ministro destacou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende o fortalecimento das ações de combate ao crime organizado e questionou os possíveis efeitos da iniciativa dos Estados Unidos sobre esse esforço.
“Nós não vamos deixar de fazer esforços, essa semana eu devo entrar em contato com as autoridades dos Estados Unidos para esclarecer o que está acontecendo. O presidente Lula foi o primeiro a dizer que precisamos aumentar o combate deste tipo de organização criminosa, agora a gente vai colocar isso em risco agora? A troco de quê?”
A decisão do governo dos Estados Unidos ocorreu na semana passada e passou a repercutir no cenário político brasileiro. O anúncio foi feito pouco depois de uma reunião entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Integrantes da oposição celebraram a medida.
Para Durigan, a classificação das facções como organizações terroristas pode ter reflexos políticos e contribuir para um ambiente de instabilidade em um período pré-eleitoral. O ministro criticou o que considera uma tentativa de pressão externa sobre o Brasil.
“É inaceitável receber esse tipo de pressão, de intimidação perto do período eleitoral, a pretexto de dizer que se está preocupado com o Brasil e com a higidez do nosso comércio.”
O chefe da equipe econômica também demonstrou preocupação com possíveis consequências da decisão para empresas brasileiras e para o sistema financeiro nacional. Segundo ele, a medida pode ampliar a insegurança jurídica em diferentes setores da economia, incluindo operações financeiras e mecanismos de pagamento como o Pix.
Durigan afirmou que o governo federal acompanhará os desdobramentos da decisão e trabalhará para evitar prejuízos ao setor produtivo brasileiro. Caso sejam identificados impactos econômicos decorrentes da medida norte-americana, o Executivo não descarta adotar mecanismos de apoio.
“Caso haja impacto financeiro e prejuízo financeiro injustamente causado por um ato unilateral, é possível pensar em medidas financeiras e econômicas de suporte também.”



