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CPI do INSS chega à fase final com disputa de relatórios

Comissão encerra trabalhos em meio a embate entre governo e oposição após decisão do STF sobre prazo

Confusão durante a CPMI doI INSS (Foto: Reprodução/TV Senado)

247 - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS caminha para sua última etapa marcada por forte disputa política entre governo e oposição. Com o prazo encerrando nesta semana, os integrantes da comissão devem enfrentar uma votação decisiva sobre os relatórios finais, em meio a divergências profundas sobre os rumos da investigação.

Segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo, a situação se agravou após o Supremo Tribunal Federal (STF) reverter a prorrogação dos trabalhos, obrigando a CPI a concluir suas atividades dentro do prazo original. A sessão decisiva está prevista para esta sexta-feira (27) com possibilidade de continuidade no sábado.

Disputa entre relatórios marca reta final

O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), apresentou um documento extenso, com mais de 5 mil páginas e cerca de 200 indiciados. Entre os nomes que ainda estão sob análise está o de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente da República.

Versão alternativa

Diante do conteúdo do parecer do relator, parlamentares governistas articulam um relatório paralelo. O documento alternativo prevê mais de 100 indiciados e organiza o esquema em nove núcleos distintos, com o objetivo de oferecer uma leitura diferente da investigação.

O presidente da CPI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), tentou ao longo da semana construir um consenso entre os grupos, mas o ambiente de confronto inviabilizou qualquer acordo. A decisão final ficará a cargo da votação entre os membros da comissão.

Clima político impede consenso

O embate entre as bancadas se intensificou nos últimos dias. O líder do governo na CPI, Paulo Pimenta (PT-RS), criticou a condução da investigação ao afirmar: “A oposição aqui tentou de tudo, menos investigar de tudo menos o INSS. É por isso que a CPI chegou ao ponto que chegou”.

Investigação sob críticas e lacunas

A CPI encerra seus trabalhos sob questionamentos sobre a profundidade das investigações. Conforme levantamento, a comissão realizou oito sessões desde fevereiro, cancelou seis reuniões e ouviu apenas um representante do setor de crédito consignado.

Ao todo, foram aprovados 2.150 requerimentos e rejeitados 92. Entre eles, destacam-se mais de mil pedidos de quebra de sigilo e centenas de convocações. A comissão também recebeu 1.962 documentos, sendo a maior parte oriunda do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e da Receita Federal.

Apesar do volume de dados, integrantes avaliam que houve limitações no avanço da apuração, com lacunas especialmente na chamada segunda fase da investigação. O desfecho da CPI, agora, dependerá da escolha entre os relatórios apresentados e da correlação de forças no colegiado.

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