Mercadante defende industrializar cadeia de terras raras: “nós temos que ter o desafio de ciência e tecnologia”
Presidente do BNDES afirma que país precisa ir além da exportação de minerais críticos e investir em tecnologia e valor agregado para ampliar soberania
247 - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pretende ampliar a atuação do Brasil na cadeia de terras raras. O foco é avançar na industrialização e na produção de baterias, segundo o presidente da instituição, Aloizio Mercadante, nesta terça-feira (12), em São Paulo. O dirigente destacou que o país precisa deixar de atuar apenas como exportador de minerais críticos e avançar para uma cadeia produtiva completa, que vá da extração à fabricação de tecnologias de alto valor agregado. As informações são da Sputnik Brasil.
“A gente fecha o circuito e gera valor agregado para a gente não ser apenas um exportador de commodity de um novo tipo de mineral. Nós temos que buscar industrializar, nós temos que ter o desafio de ciência e tecnologia.” Mercadante citou como exemplo a empresa VEG, que apresentou ao BNDES um projeto de bateria produzida no Brasil.
Em sua fala, o presidente do BNDES também ressaltou a relevância estratégica das terras raras no cenário internacional, especialmente em setores como tecnologia e defesa. Ele mencionou a dependência de determinados componentes. “O Brasil tem a segunda reserva de terras raras do planeta. A China tem em torno de 45% (...) Quem concentra a produção de sub-emissões é a China, que é um elemento vital para toda nova tecnologia ligada ao motor elétrico e mesmo a defesa”, afirmou.
Mercadante ainda citou políticas industriais adotadas pelos Estados Unidos para o setor. Segundo ele, há forte investimento público norte-americano na área. “O governo Trump colocou 1 bilhão e 700 milhões de dólares de equity e 10 bilhões de crédito subsidiado para terras raras. Se nós queremos administrar essa reserva estratégica e poder negociar com os EUA, com a União Europeia, com a China, com a Coreia, com o Japão, enfim, para o Brasil ter soberania e capacidade de diversificar os seus interesses e as suas parcerias, nós temos que ter capacidade de investimento e impulsionar esse segmento”, disse.
Mercadante defendeu ainda a necessidade de fortalecimento da pesquisa e da tecnologia como eixo central do desenvolvimento industrial brasileiro. “Nós temos que buscar industrializar, nós temos que ter o desafio de ciência e tecnologia. É isso que tem talento, é isso que gera pesquisa, é isso que gera valor agregado. É por isso que o BNDES tem um papel extraordinário”.


