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Reimont Otoni

Deputado federal (PT-RJ), vice-líder do PT na Câmara dos Deputados e membro da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Casa

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Fim da escala 6x1 chega à pauta do Congresso

“Lula está otimista com a tramitação; eu também estou”, diz Reimont

Manifestação pelo fim da escala de trabalho 6x1 (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Com alto apoio popular e da classe trabalhadora, entra em pauta no Congresso, finalmente, o fim da jornada 6x1. Lula anuncia que enviará a proposta nos próximos dias, em uma decisão ancorada em uma quase unanimidade rara e bem-vinda no país.

Pesquisa recente do Instituto Datafolha aponta que a grande maioria dos brasileiros apóia a medida, com o índice de aprovação que escalou de 64%, no final de 2024, para 71%, em março de 2026. A aprovação é alta, especialmente, entre os mais jovens, com 83% dos entrevistados entre 16 e 24 anos favoráveis à mudança.

A proposta, que começa a ganhar força no Congresso, vai reduzir a jornada de trabalho semanal, sem redução salarial, visando a melhor qualidade de vida das pessoas; serão cinco dias de trabalho, somando 40 horas semanais, sem redução de salário, e dois dias corridos de folga, para cuidar de si, da família, do lazer, do estudo.

A reivindicação é prioridade absoluta também na CONCLAT (Conferência da Classe Trabalhadora) 2026. Amanhã, dia 15 de abril, as centrais sindicais levarão o tema à Marcha de Brasília, que promete lotar as ruas do Distrito Federal.

Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) comprova que a redução da jornada beneficiará mais de 30 milhões de trabalhadoras e trabalhadores, a maioria de baixa renda. O levantamento mostra que os postos de trabalho com longa jornada são os de mais baixos salários. Enquanto os vínculos com jornada de 40 horas semanais têm média salarial de R$ 6.211,16, quem trabalha 44 horas por semana recebe, em média, R$ 2.627,74, ou 42,3% da remuneração daqueles com jornada de 40 horas. 

Lula está otimista com a tramitação – “Eu tenho certeza de que (o Congresso) vai aprovar”. Eu também estou.

Assim tem sido ao longo da história das conquistas trabalhistas no Brasil, feita de lutas e que só avança sob pressão maciça. Mais uma vez, o alto apoio popular e da classe trabalhadora deverá influenciar o voto parlamentar, especialmente neste ano eleitoral.

Como em outros desses momentos históricos, parte do empresariado e da imprensa conservadora já repetem a ladainha “terrorista” sobre o risco de aumento nos custos, inflação, desemprego, instabilidade. Um empresário mais catastrofista chegou a dizer que o impacto negativo do fim da escala 6x1 será igual ao da covid-19; soa como escárnio com as milhões de vítimas de uma pandemia agravada pela omissão, desprezo e negacionismo do governo Bolsonaro, que ainda terá que responder por isso.

Em contrapartida, outras grandes empresas de diversos setores, como o hoteleiro, varejo e industrial, optaram por se antecipar e já adotam a escala 5x2, sem redução salarial, para garantir a retenção de funcionários e melhorar a qualidade de vida de seu pessoal. A lista inclui o célebre hotel carioca Copacabana Palace, o Grupo DPSP (Drogarias Pacheco e São Paulo), o Supermercado do Frade, o hotel Palácio Tangará, a Embalixo, a Loggi e as redes Supernosso, Savegnago, Paulistão Atacadista, Comercial Zafari e Pague Menos. Todas relatam que a medida trouxe impacto positivo para os seus negócios.

A resistência do empresariado conservador não é novidade e pode ser refugada com a realidade. 

Em 1925, empresários alegaram que o direito a férias remuneradas paralisaria a produção; isso não aconteceu. Em 1917, a implantação da jornada de 8 horas enfrentou forte oposição do setor industrial; foi implantada e as empresas continuaram a crescer. Nos anos 40, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) foi alvo de críticas empresariais, muitas baseadas na crença de que direitos trabalhistas freiam o desenvolvimento econômico; a história mostrou que a crença não tinha o menor fundamento. Em 1962, em manchete de primeira página, o jornal O Globo ecoou a reação indignada de empresários ao 13º salário (Lei nº 4.090), que considerou o projeto “desastroso”; o caos não aconteceu.

Por isso, estou otimista. Vamos aprovar o fim da escala 6x1 e implantar um modelo mais humanizado de jornada, que permitirá a trabalhadoras e trabalhadores de baixa renda conviverem mais com suas companheiras e companheiros, brincarem e partilharem com suas filhas e filhos, cuidarem da família, estudarem, irem a festas, encontrarem os amigos e amigas, programarem passeios, médicos, dentistas, compras, descansarem. Enfim, permitirá que tenham vida além do trabalho, vida mais digna e justa a que todas e todos têm direito.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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