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Trump aposta na intimidação contra líderes venezuelanos

O governo trumpista pretende combinar ameaça de novos ataques à Venezuela com ofertas como anistia ou exílio seguro

Donald Trump e Nicolás Maduro (Foto: Manaure Quintero/Reuters I Piroschka Van De Wouw/Reuters)

247 - Depois de ameaçar um novo ataque à Venezuela, o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adotou uma tática de pressão e intimidação para tentar convencer membros remanescentes da liderança venezuelana a se submeterem às exigências de Washington após o sequestro de Nicolás Maduro. A ideia é combinar ameaças de novos ataques com ofertas como anistia ou exílio seguro para integrantes do alto escalão venezuelano que aceitem cooperar com os interesses dos EUA. A informação foi divulgada pela Reuters.  

Trump aproveitou e disparou ameaças contra a presidente interina Delcy Rodríguez. “Se ela não fizer a coisa certa, vai pagar um preço muito alto, provavelmente maior do que o de Maduro”, disse Trump à revista The Atlantic em uma breve entrevista por telefone.

Com Maduro detido em Nova York enfrentando acusações de narcotráfico, mesmo sem provas, assessores de Trump acreditam que podem influenciar a vice-presidenta interina Delcy Rodríguez, vista como uma figura tecnocrática e pragmática que poderia facilitar uma transição política, abrindo espaço para interesses dos EUA no petróleo venezuelano. Mas ela tem publicamente negado qualquer intenção de colaborar com a gestão trumpista, ressaltando lealdade a Maduro. 

A estratégia inclui a manutenção de uma forte presença militar dos EUA na costa da Venezuela e a imposição de um bloqueio aos embarques de petróleo, principal fonte de receita do país. Trump e seus aliados acreditam que essa demonstração de força pode coagir os dirigentes venezuelanos remanescentes a aceitar as condições impostas por Washington, sem necessidade de uma invasão terrestre — medida que teria pouco apoio doméstico nos Estados Unidos.

Líderes como o ministro da Defesa Vladimir Padrino e o ministro do Interior Diosdado Cabello, ambos com recompensas milionárias oferecidas pelos EUA, representam obstáculos significativos a qualquer acordo devido à sua influência sobre as forças armadas e os serviços de inteligência venezuelanos. 

A abordagem de Trump tem gerado questionamentos sobre sua eficácia e legalidade, com críticos classificando a política como uma forma de neocolonialismo, já que se concentra mais em controlar os recursos energéticos da Venezuela do que em restaurar práticas democráticas no país. A tentativa de moldar o futuro político venezuelano sem uma intervenção direta no terreno marca uma das posturas mais ousadas de Washington na América Latina em décadas.

Contexto

Os EUA estão interessados principalmente nas reservas de petróleo da Venezuela, que tem mais de 300 bilhões de barris de petróleo. O número representa aproximadamente 17% das reservas globais. 

Mais de 150 aeronaves de combate partiram de 20 bases no Hemisfério Ocidental para atacar a Venezuela, informou o general Dan Caine. Em agosto de 2025, os EUA aumentaram para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levassem à prisão de Nicolás Maduro.

O ataque por terra também faz parte de uma ofensiva contra a soberania da América do Sul. Desde o segundo semestre do ano passado, mais de 20 ataques foram realizados nas regiões do Caribe e do Oceano Pacífico, em áreas próximas do continente sul-americano. Os EUA alegaram que as embarcações supostamente envolvidas com o tráfico de drogas. Mais de cem pessoas morreram. 

Líderes da América Latina e vários outros países espalhados pelo mundo condenaram as novas agressões dos EUA contra a Venezuela, por terra, e aproveitaram para cobrar ação das Nações Unidas. Membros da ONU devem discutir o assunto nesta segunda-feira (5). 

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