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Senado dos EUA rejeita proposta para barrar ação militar contra Cuba

Proposta buscava limitar o uso das forças armadas por Trump em Cuba, mas foi barrada pelos republicanos

Plenário do Senado dos Estados Unidos (Foto: Jim Lo Scalzo/REUTERS)

247 - A proposta liderada pelo senador democrata Tim Kaine, da Virgínia, e seus colegas Ruben Gallego, do Arizona, e Adam Schiff, da Califórnia, contrária ao uso da força contra Cuba, foi rejeitada no Senado dos Estados Unidos. A medida, que buscava questionar a autoridade do presidente Donald Trump para levar os EUA à guerra sem a aprovação do Congresso, não obteve sucesso, apesar de abordar as tensões diplomáticas entre os dois países. O resultadofoi apertado. Os republicanos, que controlam o Senado, votaram majoritariamente contra, mas houve a deserção dos senadores Susan Collins, do Maine, e Rand Paul, do Kentucky, que se juntaram aos democratas na votação.

O senador Kaine, ao apresentar a proposta, fez uma análise contundente sobre as políticas norte-americanas em relação a Cuba. "Os Estados Unidos têm uma longa, muito longa história com Cuba, que não preciso relatar aqui. Mas basta dizer que, como membro das Comissões de Serviços Armados e de Relações Exteriores, nunca ouvi a sugestão de que Cuba represente uma ameaça iminente à segurança dos Estados Unidos", afirmou Kaine. Ele também destacou que a proposta visava garantir que qualquer ação militar contra Cuba fosse submetida a um debate e votação no Congresso, como prevê a Resolução sobre Poderes de Guerra. "Já estamos em hostilidades com Cuba, porque estamos usando a força dos EUA, principalmente a Guarda Costeira, para participar de um bloqueio econômico devastador contra a ilha", ressaltou.

Kaine também fez uma crítica direta à abordagem de Trump sobre Cuba. "Se alguém estivesse fazendo aos Estados Unidos o que estamos fazendo a Cuba, certamente consideraríamos isso um ato de guerra", observou. A resolução foi apoiada por outros senadores, como Peter Welch, de Vermont, que expressou preocupação com as ameaças do presidente. "Nosso comandante-em-chefe, e cito: ‘Cuba é o próximo alvo’. Isso é urgente e exige a atenção imediata do Senado dos Estados Unidos", alertou Welch.

Em sua argumentação, o senador Gallego também chamou atenção para a postura agressiva do governo de Trump em relação a países latino-americanos. "Logo após o Ano Novo, Trump invadiu ilegalmente a Venezuela e, menos de dois meses depois, ele nos levou à guerra com o Irã, sem qualquer justificativa ou explicação", disse Gallego.

Enquanto isso, o senador republicano Rick Scott, da Flórida, minimizou a proposta, afirmando que o presidente Trump nunca sugeriu o envio de tropas para Cuba. "Portanto, todo esse esforço é irrelevante", declarou Scott. No entanto, a votação, que ocorreu em um cenário de crescente tensão política, revelou o quão polarizada a questão permanece no Senado. Apesar disso, o projeto foi rejeitado, e os senadores republicanos bloquearam a medida que poderia limitar as ações militares de Trump.

A proposta rejeitada no Senado dos EUA demonstra o impacto contínuo das políticas externas dos Estados Unidos sobre Cuba, e segue como um reflexo das divisões internas do país sobre como lidar com a ilha e seus desafios diplomáticos.

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