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Presidente da Colômbia denuncia plano de assassinato durante voo oficial

Gustavo Petro afirma que helicóptero não pousou por risco de ataque armado

Presidente da Colômbia, Gustavo Petro 29/12/2025 (Foto: Luisa Gonzalez/Reuters)

247 - O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou nesta terça-feira (10) que escapou de uma tentativa de assassinato ao não conseguir pousar um helicóptero oficial no departamento de Córdoba, no Caribe colombiano, na noite de segunda-feira (9). Segundo o mandatário, a decisão foi tomada após alertas de segurança indicarem que a aeronave poderia ser alvo de disparos no local previsto para o pouso, em um episódio que ocorre em meio ao agravamento da violência política no país a três meses das eleições presidenciais.

Petro relatou que viajava acompanhado das filhas quando recebeu a informação de que havia risco iminente de ataque. “Ontem à noite não pude pousar porque fui informado de que o helicóptero em que eu viajava com minhas filhas seria alvejado. Eles nem sequer acenderam as luzes do local onde eu deveria pousar”, afirmou.

A denúncia também foi reforçada nas redes sociais pelo gerente do Sistema de Meios Públicos da Colômbia, Hollman Morris. Em publicação na plataforma X, ele atribuiu a informação diretamente ao chefe do Executivo. “O presidente Gustavo Petro informa ao país que, nos últimos dias, estava sendo planejado um plano para matá-lo”, escreveu.

Segundo Morris, o presidente ainda teria tomado conhecimento de “uma armação para colocar alucinógenos em um automóvel” e de que os planos envolveriam possíveis ações contra integrantes da família presidencial.

Petro sustenta que uma “nova junta do narcotráfico” estaria por trás das ameaças desde o início de seu mandato, em 2022. De acordo com o presidente, o suposto complô envolveria narcotraficantes que atuam no exterior e líderes de grupos armados ilegais, como Iván Mordisco, apontado como o criminoso mais procurado do país e líder da maior dissidência das antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que não aderiu plenamente ao acordo de paz de 2016.

Até o momento, as autoridades colombianas não divulgaram detalhes adicionais sobre a suposta tentativa de atentado. O episódio, no entanto, ocorre poucos dias após o Clã do Golfo — principal organização do narcotráfico no país — anunciar a suspensão das negociações de paz que vinham sendo realizadas no Catar com o governo colombiano. O grupo alegou insatisfação após o endurecimento das ações militares e de inteligência contra seu líder, conhecido como Chiquito Malo.

A decisão do Clã do Golfo foi comunicada depois de uma reunião entre Petro e Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos, realizada na terça-feira (4), na Casa Branca. Segundo informações divulgadas, o presidente colombiano defendeu diretamente a necessidade de intensificar o combate ao chefe da organização criminosa.

Em publicação no X, o grupo afirmou que a ofensiva representaria “um atentado contra a boa-fé e os compromissos” assumidos nas negociações e anunciou o afastamento “provisório” da mesa, enquanto seus integrantes realizam consultas internas.

A Colômbia possui um histórico marcado por assassinatos de figuras públicas e candidatos presidenciais, frequentemente associados a alianças entre narcotraficantes, grupos paramilitares e agentes estatais. Petro, o primeiro presidente de esquerda na história do país, já havia denunciado em 2024 outra suposta tentativa de atentado, que o impediu de comparecer a um desfile militar em sábado (20) de julho daquele ano.

Em 2022, a comitiva de segurança do presidente também foi alvo de uma emboscada a tiros de fuzil em uma estrada no norte do país. Na ocasião, o governo informou que o comboio foi atacado ao escapar de uma falsa blitz ao se aproximar de San Pablo, em El Tarra, onde ocorreria um evento próximo.

O atual cenário de instabilidade também é lembrado por episódios recentes de violência política. Em 2025, o então senador e pré-candidato à Presidência Miguel Uribe foi baleado durante um ato de campanha em Bogotá. Ele morreu em agosto, após semanas internado em estado crítico, e era considerado um dos principais nomes da oposição ao governo Petro, com forte projeção entre lideranças da direita colombiana.

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