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Petro confirma encontro com Trump nos EUA em fevereiro

Presidente da Colômbia diz que reunião em 3 de fevereiro busca reduzir tensões após crise diplomática com os Estados Unidos

Donald Trump e Gustavo Petro (Foto: Reuters)

247 - O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, anunciou que viajará aos Estados Unidos para se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no dia 3 de fevereiro. O encontro ocorre após um período de forte deterioração das relações diplomáticas entre os dois países, marcado por confrontos verbais e ameaças envolvendo segurança regional e combate ao narcotráfico.

A informação foi divulgada pelo próprio Petro durante uma reunião televisionada com ministros de seu governo, realizada nesta quarta-feira (14). Segundo o presidente colombiano, a conversa presencial será uma continuidade do diálogo iniciado recentemente para reduzir a escalada de tensões entre Bogotá e Washington.

Ao comentar a viagem, Petro afirmou: "Será em 3 de fevereiro", acrescentando em seguida: "Já veremos os resultados dessa reunião". A declaração foi feita no contexto de uma tentativa de reaproximação após semanas de atritos que atingiram um dos momentos mais delicados da relação bilateral em décadas.

As tensões se intensificaram depois do ataque dos Estados Unidos à Venezuela, em 3 de janeiro, episódio que levou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a fazer declarações agressivas envolvendo a Colômbia. Na ocasião, Trump chegou a mencionar a possibilidade de ações militares em território colombiano, em meio a acusações contra Petro relacionadas ao narcotráfico, feitas sem apresentação de provas.

Apesar do cenário adverso, os dois presidentes reduziram o tom na semana passada após uma conversa telefônica. Nesse primeiro diálogo bilateral, Petro e Trump concordaram em retomar ações conjuntas no combate ao tráfico de drogas, com foco especial no Exército de Libertação Nacional (ELN), grupo guerrilheiro que atua na fronteira entre Colômbia e Venezuela.

A relação entre os países já havia se deteriorado em 2024, quando o governo Trump retirou a certificação da Colômbia como aliada no combate às drogas, alegando insuficiência nos esforços para conter o fluxo de cocaína destinado ao mercado norte-americano. Washington também cancelou o visto de Petro, aprofundando o desgaste diplomático.

Em resposta às críticas, o presidente colombiano defendeu os resultados de sua gestão na área de segurança. "Finalmente há uma comunicação que permite que o presidente e as autoridades dos Estados Unidos saibam realmente o que está acontecendo com a luta que temos travado neste governo contra os narcóticos", declarou Petro nesta quarta-feira.

A Colômbia segue como o maior produtor mundial de cocaína, mas o governo de Petro sustenta que houve recorde de apreensões da droga durante seu mandato. Tradicionalmente aliados em temas militares e econômicos, Colômbia e Estados Unidos atravessam, desde o início do segundo mandato de Trump, em 2025, o período mais crítico de sua relação bilateral recente, cenário que o encontro de fevereiro busca, ao menos parcialmente, reverter.

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