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Marco Rubio ameaça intervir na Bolívia e reprimir lideranças e ativistas dos movimentos populares

Declaração de Marco Rubio expõe apoio dos EUA ao governo boliviano e ameaça movimentos populares sob acusações infundadas

Marco Rubio (Foto: Reuters)
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247 - A declaração de Marco Rubio explicitou a intenção do governo dos Estados Unidos intervir na Bolívia para apoiar o governo direitista de Rodrigo Paz e reprimir os movimentos populares sob acusações sem provas de narcotráfico e terrorismo.

Em postagem na rede X, Rubio afirmou que “não haverá equívoco” sobre o apoio de Washington ao “legítimo governo constitucional da Bolívia” e disse que os Estados Unidos não permitirão que “criminosos e traficantes de drogas derrubem líderes democraticamente eleitos” no hemisfério. A publicação foi feita em meio a uma crise marcada por protestos, bloqueios de estradas e forte tensão política no país sul-americano.

A declaração representa mais um sinal de preparação política para uma intervenção de caráter imperialista nos assuntos internos de um país sul-americano. Ao se colocar como árbitro da legitimidade institucional boliviana, Washington reforça uma prática recorrente de ingerência regional, na qual crises sociais internas passam a ser enquadradas como ameaças à segurança hemisférica dos Estados Unidos.

O discurso de Rubio também configura apoio explícito ao atual governo direitista boliviano alinhado a uma reaproximação com Washington. Desde a posse de Rodrigo Paz, a Bolívia passou por uma guinada na política externa e retomou canais de cooperação com os Estados Unidos, inclusive na área antidrogas, após quase duas décadas de ruptura com a DEA.

A retórica usada pelo secretário de Estado transforma protestos sociais e mobilizações populares em caso de segurança, ao associá-los a “criminosos” e “traficantes de drogas” sem apresentar provas. Esse tipo de acusação abre caminho para a criminalização de líderes sociais, sindicatos, organizações indígenas, trabalhadores rurais e ativistas que se opõem às medidas do governo boliviano.

A declaração de Rubio ocorre em um contexto de crescente alinhamento entre La Paz e Washington. Em dezembro de 2025, o Departamento de Estado dos EUA elogiou publicamente o pacote de reformas econômicas anunciado por Rodrigo Paz, descrevendo as medidas como caminho para “estabilidade, prosperidade e investimento” após o período anterior.

O enquadramento das manifestações como ameaça ligada ao crime organizado também ecoa uma estratégia já utilizada pelos Estados Unidos em outros países da região. Em discursos recentes, Rubio defendeu ações duras sob a justificativa do combate ao narcotráfico, inclusive em temas que despertaram críticas por envolverem soberania nacional e possíveis violações do direito internacional.

Ao afirmar que os Estados Unidos “não permitirão” a derrubada de líderes eleitos, Rubio adota uma formulação que ultrapassa a manifestação diplomática convencional. A frase sugere disposição de Washington para agir politicamente na crise boliviana e reforça a ameaça de repressão contra opositores, ativistas e lideranças sociais tratados, de forma genérica, como agentes do crime e do narcotráfico.

A escalada verbal ocorre em meio a uma disputa sobre o sentido dos protestos. Para o governo boliviano e seus aliados externos, as mobilizações são apresentadas como tentativa de desestabilização. Para setores populares, trata-se de resistência a políticas econômicas, sociais e de segurança que aprofundam a crise e ampliam a dependência do país em relação aos Estados Unidos.

A fala de Marco Rubio consolida uma linha de intervenção política sobre a Bolívia, legitima o governo de direita de Rodrigo Paz Pereira e cria ambiente para criminalizar movimentos populares sob acusações graves e não demonstradas no próprio tuíte, em um momento de forte instabilidade interna no país.

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