Cuba condena e denuncia nova escalada do cerco econômico dos Estados Unidos
Governo cubano afirma que os EUA tentam impor bloqueio absoluto ao combustível e afirma que medida viola o direito internacional
247 - O governo de Cuba condenou nesta sexta-feira (30), a intensificação das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, demonstrando que as medidas do governo Trump são uma tentativa de estabelecer um bloqueio absoluto ao fornecimento de combustível para a ilha.
A reação cubana ocorre após o anúncio de uma nova ordem executiva que amplia os mecanismos de pressão econômica contra o país caribenho.Em declaração oficial divulgada pelo jornal estatal Granma, órgão do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, o Governo cubano afirma que a medida anunciada em 29 de janeiro pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, representa uma escalada agressiva da política de bloqueio e se baseia em acusações consideradas falsas e difamatórias contra o Estado cubano.
Leia a íntegra.
Declaração do Governo Revolucionário
O Governo Revolucionário condena nos termos mais enérgicos a nova escalada do governo dos Estados Unidos contra Cuba, no seu empenho por impor um cerco absoluto aos fornecimentos de combustível ao nosso país.
A ordem executiva do Presidente estadunidense, anunciada em 29 de janeiro de 2026, declara uma alegada emergência nacional, em virtude da qual o seu governo poderá impor taxas comerciais às importações de produtos procedentes de países que forneçam petróleo a Cuba.
Para justificar uma ação tão extrema, no texto da referida ordem consta uma lista extensa de mentiras e acusações difamatórias contra Cuba. Destaca entre elas a absurda asseveração de que Cuba constitui uma "ameaça inusual e extraordinária" para a segurança nacional dos Estados Unidos. O próprio Presidente e o seu governo são cientes de que ninguém ou muito poucos podem acreditar em argumentos tão falaciosos, mas não se importam com isso. Assim é o seu desprezo pela verdade, a opinião pública e a ética governamental quando se trata de avaliar a sua agressão contra Cuba.
Com essa decisão, o governo dos EUA., através da chantagem, da ameaça e da coerção direta a terceiros países, tenta impor componentes adicionais de pressão às ações de asfixia económica que desde o primeiro mandato de Trump foram dispostas para impedir a entrada de combustíveis ao nosso país. Consolida uma forma perigosa de conduzir a política externa dos Estados Unidos mediante a força e de exercer as suas ambições para garantir o seu hegemonismo imperialista. Conforme ao anunciado, esse país se adjudica o direito de ditar a Estados soberanos com quais nações podem comerciar e para quais podem exportar os seus produtos nacionais.
Portanto, a ordem executiva do Presidente dos Estados Unidos da América constitui uma violação flagrante do Direito Internacional e atenta, também, contra a Proclama de América Latina e as Caraíbas como Zona de Paz. Ratifica que é o governo desse país que atenta contra a segurança, a estabilidade e a paz da região e do mundo.
O governo dos E.U.A. chega a este ponto após ter fracassado durante 67 anos em render e destruir um processo político e revolucionário genuíno e legítimo, de plena soberania, justiça social e fomento da paz e da solidariedade com o resto do mundo.
Está amplamente documentada a disposição histórica de Cuba para ter com o governo dos Estados Unidos um diálogo sério, responsável, na base do Direito Internacional, na igualdade soberana, no respeito mútuo, no benefício recíproco, sem ingerência nos assuntos internos e com absoluto respeito à independência e à soberania dos Estados.
Como todo o mundo sabe, incluído o próprio governo estadunidense, Cuba não constitui ameaça alguma para os Estados Unidos, os seus interesses nacionais ou o bem-estar dos cidadãos desse país que, além disso, sempre foram tratados com respeito e hospitalidade quando o seu governo os autorizou para visitar a ilha. Cuba não ameaça ou agride país algum. Não é alvo de sanções por parte da comunidade internacional.
É um país de paz, solidário e cooperativo, disposto a ajudar e contribuir com outros Estados.
Também é o país de um povo aguerrido e combatente. Engana-se o imperialismo quando confia em que com a pressão económica e o empenho em provocar sofrimento a milhões de pessoas, vai ser dobrada a sua determinação de defender a soberania nacional e de impedir que Cuba caia, mais uma vez, sob a dominação estadunidense.
A comunidade internacional tem perante si o desafio ineludível de definir se um crime desta natureza poderá ser o sinal do que está por vir ou se irá prevalecer a cordura, a solidariedade e a rejeição à agressão, a impunidade e o abuso.
Enfrentaremos a nova arremetida com firmeza, equanimidade e segurança de que a razão está absolutamente da nossa parte. A decisão é uma: Pátria ou Morte, Venceremos!
Havana, 30 de janeiro de 2026


