Soja brasileira ganha espaço na China e produtores dos EUA pressionam Trump por acordo
American Soybean Association alerta que agricultores estão em crise e exige que presidente dos EUA negocie fim das tarifas que favorecem o Brasil
247 – A disputa pela liderança no comércio mundial de soja colocou o Brasil em vantagem e deixou os produtores dos Estados Unidos em alerta. A American Soybean Association (ASA), maior entidade representativa do setor no país, enviou uma carta ao presidente Donald Trump pedindo que a oleaginosa seja prioridade nas negociações comerciais com a China. A informação foi divulgada pelo portal Globo Rural, que obteve detalhes do documento.
Segundo a ASA, as tarifas impostas pela China à soja americana, em retaliação à política comercial de Washington, tornaram o produto cerca de 20% mais caro que o sul-americano. Isso abriu espaço para que o Brasil ampliasse sua participação e consolidasse a posição de principal fornecedor do grão.
“O cenário é de emergência para os agricultores dos Estados Unidos”, afirmou Caleb Ragland, presidente da entidade e produtor de soja no Kentucky. “Os produtores de soja estão sob extremo estresse financeiro. Os preços continuam caindo e, ao mesmo tempo, nossos produtores estão pagando significativamente mais por insumos e equipamentos. Os produtores de soja dos EUA não podem sobreviver a uma disputa comercial prolongada com nosso maior cliente.”
Ragland alertou ainda para a perda contínua de espaço no mercado chinês: “Cada dia sem um acordo corrói ainda mais a participação de mercado dos agricultores americanos na China. Instamos veementemente o governo a garantir um acordo que reabra este mercado vital para a soja americana.”
China redireciona compras para o Brasil
De acordo com a carta, “a China recorreu ao Brasil, que expandiu a produção para atender à demanda”. Os números confirmam a tendência: segundo dados da alfândega chinesa compilados pela agência Reuters, o país asiático importou em julho 10 milhões de toneladas de soja do Brasil, aumento de 13,9% em comparação ao mesmo mês de 2024. No mesmo período, as compras do grão norte-americano tiveram queda de 11,5%.
O avanço das vendas ao mercado chinês impulsionou as exportações brasileiras a um recorde histórico para julho, com 12,25 milhões de toneladas embarcadas, segundo levantamento da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
De janeiro a julho de 2025, o Brasil já exportou 77,2 milhões de toneladas de soja, marca inédita para o período. Desse volume, 57,9 milhões de toneladas seguiram para a China, reforçando a dependência chinesa da produção brasileira e consolidando o país como maior exportador global.
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