China ativa turbina eólica marítima mais potente do mundo e reforça liderança em energia limpa
Equipamento de 20 MW começou a fornecer eletricidade à rede nacional no parque eólico de Liuao, em Fujian, com projeção de 80 milhões de kWh por ano
247 – A China voltou a registrar um marco no avanço das energias renováveis ao colocar em operação a turbina eólica marítima mais potente do mundo, instalada no parque eólico offshore de Liuao, em frente à costa sul da província de Fujian. O equipamento começou nesta semana a fornecer eletricidade à rede nacional, segundo fontes oficiais.
A informação foi divulgada pela teleSUR, com base em agências, e ilustra o ritmo acelerado com que o país amplia sua capacidade tecnológica e industrial para a transição energética, em meio à crise climática e à pressão global por redução de emissões. A foto que acompanha a notícia é creditada à Xinhua.
Um salto tecnológico com 20 MW e integração digital
O aerogerador tem potência nominal de 20 megawatts, e, de acordo com a reportagem, é a primeira vez que uma turbina marítima de grande capacidade consegue ser instalada, ajustada e conectada com sucesso à rede elétrica. O projeto foi desenvolvido pela China Three Gorges Corporation, que destacou a relevância do feito para o futuro da energia eólica em águas profundas.
Um dos pontos centrais do avanço, segundo o texto, está na combinação entre construção mais leve e integração digital. Essa engenharia reduziu o peso por megawatt em mais de 20% em comparação com a média do setor, o que tende a elevar tanto a eficiência de captação do vento quanto o desempenho na geração de energia.
Capacidade anual equivalente a 44 mil residências
Em condições nominais de operação, projeta-se que uma única turbina gere mais de 80 milhões de quilowatts-hora de eletricidade por ano. A reportagem afirma que essa produção pode cobrir o consumo anual de aproximadamente 44 mil residências, um número que dimensiona o impacto potencial desse tipo de equipamento na segurança energética e na ampliação de fontes renováveis.
O dado reforça a aposta chinesa em soluções de alta escala para responder a demandas de consumo e, ao mesmo tempo, reduzir a dependência de fontes fósseis, especialmente em regiões com grande potencial de ventos marítimos.
Economia de carvão e redução de emissões
A teleSUR também informa que as autoridades chinesas estimam que a turbina permitirá economizar cerca de 22 mil toneladas de carvão padrão. Na prática, isso representa uma queda relevante nas emissões associadas à geração elétrica, contribuindo para metas de descarbonização e para a estratégia do país de avançar em direção à neutralidade de carbono.
O marco ganha ainda mais peso em um contexto de emergência climática, no qual o setor elétrico é peça-chave para reduzir emissões não apenas na geração, mas também ao viabilizar eletrificação de transportes e processos industriais.
Dimensões gigantescas no mar de Fujian
As dimensões do equipamento são descritas como impressionantes. O cubo do rotor se eleva a 174 metros acima do nível do mar, o equivalente a um edifício de 58 andares. O rotor tem 300 metros de diâmetro, fazendo com que as pás varram uma área comparável à de dez campos de futebol.
Esses números ajudam a explicar por que turbinas de grande capacidade podem aumentar a produtividade por unidade instalada em parques eólicos marítimos, permitindo gerar mais energia com menos equipamentos, embora imponham desafios técnicos e logísticos maiores no transporte, montagem e manutenção em alto-mar.
Ventos monçônicos e desafios da operação em ambiente marítimo
O texto destaca que a entrada em operação exigiu superar condições adversas, como ventos de monção e a complexidade do ambiente marítimo. Jiang Guangqiu, subdiretor-geral da filial da empresa em Fujian, descreveu o significado do projeto para o futuro da tecnologia.
"Esta turbina fornece um apoio técnico crucial para o futuro desenvolvimento da energia eólica marítima em águas mais profundas", afirmou, segundo a teleSUR.
A declaração resume um ponto estratégico do empreendimento: além da energia gerada, o projeto funciona como plataforma de aprendizado para levar a eólica offshore a regiões mais profundas, onde o potencial de vento pode ser maior, mas a complexidade operacional também cresce.
Liderança industrial e a corrida global pela energia eólica offshore
Ao enquadrar o projeto na estratégia nacional, a reportagem afirma que o avanço se insere na ambição chinesa de consolidar liderança mundial com inovações em energias limpas e orientadas à neutralidade de carbono. Na prática, turbinas maiores e mais eficientes podem acelerar a competitividade da eólica marítima, sobretudo quando associadas a cadeias industriais capazes de produzir componentes em escala e integrar soluções digitais de monitoramento e otimização.
Em paralelo, a experiência em Fujian surge como referência para países que buscam desenvolver parques eólicos marítimos de grande escala. A própria ideia de “modelo” aparece no texto ao associar a iniciativa a um cenário internacional de necessidade urgente de cortar emissões e expandir rapidamente fontes renováveis.
Um marco que aponta para águas mais profundas
A ativação da turbina de 20 MW em Liuao, segundo a teleSUR, é um passo que vai além do recorde de potência. Ao combinar redução de peso por megawatt, integração digital e operação em condições ambientais desafiadoras, o projeto fortalece a capacidade técnica para expandir a energia eólica offshore em áreas mais profundas, ampliando o alcance geográfico dessa fonte.
Com geração anual estimada em mais de 80 milhões de kWh e potencial de economizar 22 mil toneladas de carvão padrão, o equipamento simboliza a estratégia chinesa de avançar com infraestrutura energética de grande porte voltada à descarbonização, em um momento em que a transição energética deixou de ser promessa e passou a ser urgência global.




