Vacina contra a dengue começa a imunizar profissionais do SUS com dose única
Imunizante do Instituto Butantan, em dose única, será aplicado em equipes da atenção primária após aprovação da Anvisa e compra de 3,9 milhões de doses
247 - A partir desta segunda-feira (8), profissionais de saúde da atenção primária que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS) começam a receber a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A imunização contempla trabalhadores que estão na linha de frente do atendimento básico em todo o país.
As informações são da Agência Brasil, que acompanhou o início da estratégia de vacinação e a cerimônia realizada na capital paulista para marcar a nova etapa de incorporação do imunizante ao sistema público de saúde. A vacina, chamada Butantan-DV, foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no início de dezembro.
Considerada um marco científico, a Butantan-DV é o primeiro imunizante contra a dengue em dose única no mundo. A vacina foi testada para aplicação em pessoas com idade entre 12 e 59 anos, faixa etária que concentra parcela significativa dos casos registrados da doença no Brasil.
Durante a cerimônia em São Paulo, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou que a imunização abrange todas as equipes multiprofissionais das unidades básicas de saúde. Segundo ele, estão incluídos agentes comunitários, enfermeiros, médicos e demais profissionais devidamente cadastrados no sistema.
No mesmo dia, o ministro e o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, visitaram o Centro de Produção de Vacina contra a Dengue (PVD) do Instituto Butantan, também na capital paulista. A unidade é responsável pela produção em larga escala do imunizante destinado ao SUS.
“Um dia histórico. Não tenho dúvida nenhuma de que, hoje, nós estamos presenciando um marco histórico que vai colocar o Butantan entre os maiores complexos de inovação tecnológica e industrial do mundo”, afirmou Padilha durante o evento.
Para garantir a imunização dos profissionais de saúde em todo o país, o Ministério da Saúde adquiriu 3,9 milhões de doses da vacina. O quantitativo permitirá atender, de forma inicial, as equipes da atenção primária, consideradas estratégicas no enfrentamento às arboviroses.
O ministro também destacou o caráter público da produção realizada pelo Instituto Butantan. “Diferentemente de outros grandes complexos econômicos, tecnológicos e industriais, esse aqui [o Instituto Butantan] é 100% SUS”, disse.
Em seguida, Padilha reforçou a função social do instituto. “Cada vacina, cada medicamento, cada tecnologia, cada inovação que vai vir com a terapia celular vai tratar as pessoas no Brasil. E, cada vez mais, vai tratar no mundo, com um único interesse: salvar vidas e não só obter lucro a partir daquilo que produz”, completou.
A vacina contra a dengue utiliza a tecnologia de vírus vivo atenuado, já presente em outros imunizantes amplamente usados no Brasil e no exterior, como a vacina tríplice viral, a vacina contra a febre amarela, a vacina oral contra a poliomielite e algumas vacinas contra a gripe.
De acordo com a avaliação técnica da Anvisa, a Butantan-DV apresentou eficácia global de 74,7% contra a dengue sintomática na população de 12 a 59 anos. Isso significa que, em aproximadamente 74% dos casos avaliados, a doença foi evitada em razão da vacinação.
Os estudos também indicaram que a vacina alcançou 89% de proteção contra formas graves da doença e contra casos de dengue com sinais de alarme. Os resultados foram publicados na revista científica The Lancet Infectious Diseases.
Em janeiro, o Instituto Butantan divulgou ainda uma pesquisa na revista The Lancet Regional Health – Americas, apontando que o imunizante pode contribuir para a redução da carga viral em pessoas infectadas pelo vírus da dengue, o que ajuda a prevenir o agravamento do quadro clínico.
Segundo o estudo, embora algumas pessoas tenham sido infectadas após a vacinação, a quantidade de vírus identificada nesses indivíduos foi consideravelmente menor do que a observada em participantes não imunizados. Para os pesquisadores, o resultado demonstra a capacidade da vacina de induzir resposta imune eficaz e reduzir a replicação do vírus nas células.
