Anvisa alerta para risco de pancreatite com canetas emagrecedoras
Agência relata seis mortes associadas a medicamentos GLP-1 e reforça que, apesar dos alertas, benefícios terapêuticos ainda superam os riscos
247 - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu, nesta segunda-feira (9), um alerta sobre os riscos de pancreatite associados ao uso das chamadas canetas emagrecedoras, medicamentos antagonistas do receptor GLP-1 indicados para o tratamento do diabetes e que se popularizaram também no combate à obesidade.
De acordo com a Anvisa, de 2020 até 7 de dezembro de 2025, foram registradas 145 notificações de casos suspeitos de eventos adversos relacionados a esses medicamentos, sendo que seis evoluíram para óbito. As informações constam em comunicado oficial divulgado pela própria agência reguladora.
Apesar do alerta, a autoridade sanitária afirma que não houve alteração na avaliação entre risco e eficácia dos fármacos. Segundo a Anvisa, o acompanhamento reforçado ocorre devido ao potencial de eventos adversos graves, como a pancreatite aguda, que pode assumir formas necrotizantes e fatais. A agência ressalta, contudo, que “os benefícios terapêuticos ainda superam os efeitos adversos, de acordo com as indicações e modos de uso aprovados e constantes da bula”.
O monitoramento inclui medicamentos amplamente utilizados, como o Mounjaro (tirzepatida). A farmacêutica Eli Lilly informou, em nota, que a bula do produto já descreve a pancreatite aguda como uma reação adversa incomum. A empresa orienta que pacientes conversem com seus médicos sobre os sintomas da inflamação do pâncreas e suspendam o tratamento caso haja suspeita da condição durante o uso do medicamento.
Outra fabricante de medicamentos da classe, a Novo Nordisk, também se manifestou. Em comunicado, a empresa afirmou que “embora o risco já conste nas bulas aprovadas no Brasil, as notificações têm aumentado no cenário internacional e nacional, o que exige reforço das orientações de segurança”.
A Anvisa destacou ainda que o alerta brasileiro está alinhado a iniciativas adotadas por outras autoridades regulatórias. No Reino Unido, a MHRA, agência equivalente à Anvisa, divulgou comunicado semelhante em janeiro deste ano. Segundo dados citados pela autoridade brasileira, a agência britânica recebeu quase 1.300 notificações de pancreatite associadas a esses medicamentos entre 2007 e outubro de 2025.
Os registros no Reino Unido incluem 19 mortes e 24 casos de pancreatite necrosante, forma grave da doença caracterizada pela morte de tecido pancreático. Para a Anvisa, os números reforçam a necessidade de vigilância contínua e do uso desses medicamentos estritamente conforme orientação médica e indicações previstas em bula.