Polícia mira duplo homicídio em desaparecimento de primas no Paraná
Jovens saíram de Cianorte em uma caminhonete preta antes de serem vistas pela última vez em Paranavaí
247 - A Polícia Civil do Paraná trata o crime de duplo homicídio como a principal linha de investigação no caso do desaparecimento das primas Letycia Garcia Mendes e Sttela Dalva Melegari Almeida, ambas de 18 anos. As jovens desapareceram em 21 de abril, depois de serem vistas com um homem em uma boate de Paranavaí, no noroeste do estado.
As informações são do g1 PR e da RPC Noroeste. O principal suspeito de envolvimento no desaparecimento é Clayton Antonio da Silva Cruz, de 39 anos, considerado foragido desde 29 de abril, quando teve a prisão decretada.
Segundo o delegado Luiz Fernando Alves Silva, o tempo de desaparecimento e a dinâmica apurada até agora levaram os investigadores a priorizar a hipótese de duplo homicídio. Ele afirmou, no entanto, que outras possibilidades ainda podem surgir no decorrer da investigação.
"Pelo tempo de desaparecimento, e também pela dinâmica dos fatos, análise, cruzamento de informações, que seria a principal linha de investigação um duplo homicídio. Futuramente, se elucidado, com a possibilidade do reconhecimento da qualificadora do feminicídio de acordo com a motivação do crime.", disse o delegado.
A Polícia Civil divulgou imagens de câmeras de segurança que mostram Clayton ao lado de Letycia e Sttela em uma casa noturna de Paranavaí. As gravações são da madrugada de 21 de abril, data em que as jovens desapareceram.
Por volta de 1h10, os três aparecem entrando na boate. Dentro do local, as primas foram filmadas caminhando de mãos dadas. A polícia informou que chegou ao endereço da festa após cruzar dados, imagens e depoimentos de testemunhas.
Até o momento, não foram divulgadas informações sobre o que aconteceu com Letycia e Sttela depois desse último registro em vídeo. A investigação tenta reconstruir os passos das jovens e do suspeito nas horas seguintes.
De acordo com a linha do tempo elaborada pela Polícia Civil, as primas saíram de Cianorte, também no noroeste do Paraná, em uma caminhonete preta conduzida por Clayton. Letycia conhecia o suspeito pelo nome de "Davi", segundo a investigação.
Às 22h39 de 20 de abril, as jovens foram vistas deixando Cianorte com Clayton. A polícia apurou que elas partiram da casa de Letycia. Esse também teria sido o último momento em que Letycia se conectou à internet, pois ela não tinha pacote de dados móveis.
Poucos minutos depois, às 22h54, a caminhonete foi registrada por câmeras de segurança entrando em Jussara, cidade onde Sttela morava com a mãe. A jovem passou em casa para pegar uma mochila. A mãe dela não estava no imóvel naquele momento.
Às 22h55, Sttela fez uma publicação nas redes sociais e marcou Letycia. Na imagem, ela aparece com uma garrafa de uísque, enquanto havia música dentro da caminhonete. A legenda dizia: "Qual será o nosso destino KKKK".
Às 23h13, o trio saiu de Jussara em direção a Maringá, pela rodovia PR-323. Já à 0h16 de 21 de abril, Sttela fez uma nova publicação no trevo entre Presidente Castelo Branco e Nova Esperança. Clayton aparecia na imagem, enquanto Letycia foi marcada na postagem.
O último registro das jovens em ambiente público ocorreu às 1h10, quando elas foram filmadas na boate de Paranavaí ao lado de Clayton. Às 3h17, a polícia identificou, por meio de um pedido emergencial de quebra de sigilo do WhatsApp, a última conexão de Sttela à internet.
A mãe de Sttela tentou contato com a filha ainda em 21 de abril, mas não obteve resposta. Segundo a polícia, ela estranhou o silêncio porque a jovem costumava avisar onde estava e fazer publicações quando saía de casa.
A Polícia Civil informou que só foi comunicada oficialmente sobre o desaparecimento dois dias depois. A partir daí, investigadores passaram a ouvir familiares, amigos e testemunhas, além de analisar registros de câmeras e dados digitais.
Uma amiga das jovens contou em depoimento que Clayton as chamou para ir a uma festa na cidade de Porto Rico. Ela decidiu não acompanhar o grupo, mas Letycia e Sttela aceitaram o convite. Segundo a testemunha, apenas Letycia conhecia o suspeito e já havia saído com ele outras vezes.
A investigação aponta que Clayton voltou sozinho a Cianorte entre os dias 22 e 23 de abril. Ele estava sem a caminhonete e deixou a cidade novamente usando uma moto e sem celular.
A última conexão de Clayton à internet foi registrada às 9h de 23 de abril. No dia 24, a polícia identificou um registro de passagem dele por Maringá.
Clayton Antonio da Silva Cruz se apresentava em Cianorte com o nome falso de "Davi", segundo a Polícia Civil. Ele também é conhecido pelos apelidos de "Sagaz" e "Dog Dog" e frequentava festas e baladas na região.
De acordo com o delegado, antes da investigação sobre o desaparecimento das jovens, Clayton já tinha um mandado de prisão em aberto por roubo, crime cometido em 2023 em Apucarana, no centro-norte do Paraná. A caminhonete usada por ele também era clonada, conforme a polícia.



