Veja quem é Ricardo Magro, que é dono da Refit e foi alvo de ação da PF sobre evasão de recursos
Dono da Refit e Refinaria de Manguinhos já foi alvo de investigações sobre fraudes fiscais, lavagem de dinheiro e evasão de recursos
247 - O empresário Ricardo Magro, de 51 anos, voltou ao centro de uma operação da Polícia Federal nesta sexta-feira (15), quando agentes cumpriram mandados ligados à Operação Sem Refino contra empresas do setor de combustíveis. Dono do Grupo Refit, controlador da Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro, Magro acumula investigações relacionadas a fraudes bilionárias, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. As informações constam em reportagem divulgada pelo Portal G1.
Ricardo Magro comanda o Grupo Refit desde 2008. Formado em Direito pela Universidade Paulista (Unip) e especializado em direito tributário, o empresário ganhou projeção nacional por causa da antiga Refinaria de Manguinhos, rebatizada como Refit.
Natural de São Paulo, Magro mora desde 2016 em Miami, nos Estados Unidos. O empresário construiu uma trajetória marcada por disputas com órgãos de fiscalização e pelo enfrentamento judicial com concorrentes do setor de combustíveis.
Em novembro do ano passado, Magro já havia sido alvo de outra megaoperação voltada a grandes devedores da Receita Federal. O Supremo Tribunal Federal também decretou sua prisão preventiva e determinou inclusão do nome dele na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo internacional usado para localização de foragidos.
Segundo a investigação, o empresário teria ligação com fraudes bilionárias, corrupção, lavagem de dinheiro e crimes tributários relacionados ao mercado de combustíveis.
Conflitos com fiscalização e setor de combustíveis
Magro afirma sofrer perseguição institucional de grandes grupos econômicos do setor. Em entrevistas anteriores, ele acusou a Cosan, dona da Shell no Brasil, e o Instituto Combustível Legal de promover campanhas para afastá-lo do mercado. Também declarou ter sofrido ameaças do PCC.
O nome do empresário apareceu em etapas da Operação Carbono Oculto, investigação que apura infiltração do PCC no setor de combustíveis. Embora a Refit não tenha sido alvo direto naquela ofensiva, documentos oficiais apontaram relações comerciais envolvendo empresas investigadas.
A Refinaria de Manguinhos também enfrentou sucessivas interdições da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A agência questionou se a empresa realizava efetivamente atividades de refino ou apenas importava combustíveis quase prontos.
Em setembro do ano passado, a refinaria sofreu interdição. A Justiça do Rio autorizou reabertura semanas depois, mas o Superior Tribunal de Justiça determinou novo fechamento em seguida.
Investigações
A investigação apura a atuação de um conglomerado econômico suspeito de utilizar estruturas empresariais e financeiras para ocultação patrimonial e envio irregular de recursos ao exterior.
Equipes da PF cumpriram mandados em Jundiaí, no interior de São Paulo, onde empresas ligadas ao grupo mantêm operações. O Grupo Refit aparece entre os maiores devedores tributários do país, especialmente em débitos de ICMS.
A Polícia Federal afirmou que o esquema investigado envolve possível dissimulação de bens e movimentações financeiras irregulares no mercado de combustíveis. “A ação apura a atuação de um conglomerado econômico do ramo de combustíveis suspeito de utilizar a estrutura societária e financeira para ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior”, informou a corporação.
Operações anteriores e patrocínios
O empresário também apareceu na Operação Recomeço, deflagrada em 2016 pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal para investigar desvios de recursos de fundos de pensão da Petrobras e dos Correios. Na época, Magro mantinha ligação empresarial com o Grupo Galileo, responsável pela Universidade Gama Filho.
Segundo o Ministério Público Federal, debêntures emitidas para recuperação da universidade teriam abastecido contas bancárias de investigados em vez de financiar a instituição.
Mesmo cercada por investigações e acusações fiscais, a Refit ampliou presença comercial nos últimos anos. A empresa patrocinou a NFL no Brasil e lançou uma linha de combustíveis associada ao UFC, principal organização mundial de MMA.



