Paes fecha aliança com MDB e define irmã de Washington Reis como vice
Acordo fortalece pré-candidatura ao governo do Rio com apoio regional e religioso na Baixada Fluminense
247 - O prefeito do Rio de Janeiro e pré-candidato ao governo estadual, Eduardo Paes (PSD), formalizou o apoio do MDB para a disputa de outubro e avançou na definição de sua chapa majoritária. O entendimento prevê que a legenda indique a advogada Jane Reis, irmã do ex-prefeito de Duque de Caxias Washington Reis, como candidata a vice-governadora, informa o O Globo.
O presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, participará de um ato ao lado de lideranças estaduais da sigla e de Paes para oficializar o encaminhamento da aliança. A escolha do nome de Jane Reis foi consolidada após negociações entre o prefeito e Washington Reis, principal liderança emedebista na Baixada Fluminense.
Jane é advogada, ligada à Assembleia de Deus e atua em projetos sociais na Baixada. A família Reis comanda o município de Duque de Caxias, que possui o segundo maior colégio eleitoral do estado. Nos bastidores, o peso regional e a influência no segmento evangélico são apontados como fatores estratégicos para a composição.
O acordo foi acelerado após o Supremo Tribunal Federal (STF) adiar novamente, por pedido de vista do ministro Luiz Fux, o julgamento do processo que tornou Washington Reis inelegível por crime ambiental. Sem perspectiva de disputar o pleito, o ex-prefeito optou por selar entendimento com Paes. “Vamos indicar a vice amanhã. Paes quer uma mulher”, afirmou Washington.
Antes da definição por Jane, o nome do deputado estadual Rosenverg Reis, também irmão de Washington, chegou a ser sugerido. O prefeito, no entanto, indicou preferência por uma mulher para compor a chapa. Até então, os principais cotados — todos homens e filiados ao PP — incluíam o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa e o prefeito de Campos dos Goytacazes, Wladimir Garotinho.
Além da família Reis, Paes manteve diálogo com outras lideranças do MDB, como o ex-ministro e atual secretário nacional de Saneamento, Leonardo Picciani, e o líder do partido na Câmara dos Deputados, Isnaldo Bulhões. Para a direção nacional da legenda, a aliança no Rio de Janeiro é vista como estratégica para fortalecer a nominata de candidatos à Câmara.
No cenário estadual, o deputado federal Otoni de Paula figura entre os entusiastas do apoio a Paes. O prefeito também buscava o PP para indicar o vice, considerando a capilaridade da sigla — segunda com maior número de prefeituras no estado, atrás apenas do PL. A negociação, porém, esbarrou na configuração da federação partidária que PP e União Brasil tendem a formar, sob comando do União no Rio, o que dificulta definições antecipadas.
Washington Reis é apontado como um dos aliados mais prestigiados pela família Bolsonaro no estado. A entrada de seu grupo político na coligação é vista por interlocutores como um movimento para ampliar o espectro da chapa, especialmente em um contexto em que Paes procura evitar associação excessiva ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eleitorado considerado resistente ao petista.
Com a vaga de vice encaminhada, o prefeito ainda dispõe de uma candidatura ao Senado para negociar com outras legendas. Uma das posições já foi reservada à deputada federal Benedita da Silva (PT), decisão acertada em conversa com Lula. Também estão no radar possíveis compromissos para um eventual governo, como distribuição de secretarias e indicações ao Tribunal de Contas do Estado.
Paes integrou o MDB entre 2007 e 2017 e foi eleito prefeito do Rio por duas vezes pela legenda. Deixou o partido após os desdobramentos da Operação Lava Jato, que atingiram lideranças históricas da sigla no estado, entre elas o ex-governador Sérgio Cabral.


