Morte de policial casada com tenente tem reviravolta após família contestar versão: "pediu ajuda"
A ocorrência foi inicialmente registrada como suicídio, mas a natureza do caso foi alterada pela Polícia Civil
247 - A morte da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, encontrada com um tiro na cabeça dentro do apartamento onde morava, no bairro do Brás, região central de São Paulo, passou a ser investigada sob novas circunstâncias após depoimento da família contestar a hipótese inicial de suicídio. As informações foram divulgadas em reportagem da TV Globo.
A ocorrência foi inicialmente registrada como suicídio, mas a natureza do caso foi alterada pela Polícia Civil após o relato da mãe da vítima, que afirmou que a filha enfrentava um relacionamento abusivo e sofria violência psicológica.
Em entrevista, a mãe da policial, Marinalva Santana, negou de forma enfática a possibilidade de a filha ter tirado a própria vida.
"Jamais tiraria a própria vida. Ela tinha sonhos e planos. O sonho dela era viver e dar o melhor para a filha. Era muito amorosa. Só tinha amor e amava a vida, e todo dia minha filha dizia que sofria violência psicológica”.
Morte ocorreu dentro do apartamento do casal
Gisele morreu na manhã da última quarta-feira (18). Ela vivia no imóvel com o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, com quem mantinha relacionamento desde 2014. A policial deixa uma filha de sete anos, fruto de união anterior.
Segundo o boletim de ocorrência, o oficial estava no apartamento no momento do disparo. Em depoimento, ele afirmou que tomava banho quando ouviu um barulho e, ao sair do banheiro, encontrou a esposa caída no chão, com uma arma na mão e apresentando intenso sangramento.
A vítima foi socorrida e encaminhada ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu aos ferimentos.
O caso é investigado pelo 8º Distrito Policial do Brás, com acompanhamento da Corregedoria da Polícia Militar. Até o momento, o tenente-coronel não é considerado suspeito.
Família relata sinais de relacionamento abusivo
De acordo com a mãe da policial, Gisele demonstrava sinais de sofrimento emocional ao longo do relacionamento. Segundo ela, o companheiro exercia controle sobre comportamentos cotidianos da vítima.
Marinalva afirmou que a filha era vaidosa, mas se sentia oprimida pelo marido, que a impediria de usar batom e salto alto. A policial também teria deixado frascos de perfume no quartel para evitar conflitos em casa.
“Ela o conheceu no primeiro batalhão. Pelas coisas que comentava, eu já via que não ia dar certo desde o começo. Fui dando conselhos, alertando, mas não teve jeito”, relatou.
Dias antes da morte, familiares afirmam que Gisele buscava apoio para encerrar o relacionamento. O pai da policial, José Simonal Teles de Santana, contou que recebeu um pedido de ajuda da filha.
“Ela ligou chorando e disse: ‘pai, vem me buscar’”.
Segundo a família, Gisele se preparava para iniciar um novo trabalho no Tribunal de Justiça, projeto profissional que reforçaria, na visão dos parentes, seus planos para o futuro.
Trajetória na Polícia Militar
A carreira policial era um sonho antigo da vítima. Com incentivo familiar, Gisele ingressou na Polícia Militar como soldado em 2014.
“Eu dei a maior força quando ela começou. Ela ficou muito feliz com a conquista”, lembrou a mãe.
A policial foi sepultada na manhã de sexta-feira (20), em Mogi das Cruzes, sob forte comoção de familiares, amigos e colegas de farda.
Versão apresentada pelo marido
Em depoimento à polícia, o tenente-coronel afirmou que o relacionamento era conturbado e que, na manhã da morte, teria ido ao quarto da esposa para propor a separação.
Segundo ele, boatos envolvendo um suposto relacionamento extraconjugal teriam chegado até Gisele, provocando crises de ciúmes e discussões frequentes. O casal, conforme relatado, já dormia em quartos separados.
O oficial declarou que, após uma discussão, entrou no banheiro e cerca de um minuto depois ouviu um barulho que inicialmente interpretou como o de uma porta batendo. Ao sair, encontrou a esposa ferida.
Ele também informou que mantinha uma arma de fogo sobre o armário do quarto onde dormia — arma que, segundo o depoimento, foi utilizada no disparo que matou a policial.
Investigação em andamento
A Polícia Civil aguarda resultados periciais e análise completa dos depoimentos para esclarecer as circunstâncias da morte. A mudança na natureza da ocorrência amplia o escopo investigativo, incluindo a verificação de possíveis indícios de violência doméstica.
O caso segue sob investigação enquanto familiares aguardam respostas sobre o que, de fato, ocorreu dentro do apartamento naquela manhã.


