Nordeste concentra 17 das 20 cidades com mais homicídios no Brasil
Atlas da Violência mostra que 17 das 20 cidades com mais homicídios em 2024 ficam no Nordeste. Bahia tem dez municípios na lista
247 - O Atlas da Violência de 2024 aponta forte concentração dos municípios com maiores taxas de homicídios no Nordeste, região que reúne 17 das 20 cidades com mais homicídios do país. O levantamento, divulgado nesta terça-feira (26), mostra Maranguape, no Ceará, na liderança nacional, com taxa estimada de 87,2 homicídios por 100 mil habitantes, segundo a Folha de São Paulo.
O estudo foi elaborado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Além das 17 cidades nordestinas, a lista das 20 maiores taxas de homicídios estimados inclui dois municípios da região Norte e um do Centro-Oeste.
Entre os municípios com os piores indicadores, Maranguape aparece em primeiro lugar, seguida por Jequié, na Bahia, com taxa de 79,4 homicídios por 100 mil habitantes. Em terceiro lugar está Maracanaú, também no Ceará, com 74,1.
A Bahia é o estado com maior presença entre as cidades mais violentas do recorte analisado. Ao todo, dez municípios baianos aparecem entre os 20 com maiores taxas estimadas de homicídios. O Ceará também se destaca negativamente, com cinco cidades na lista.
O levantamento considerou os 336 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes em 2024. Nesse grupo, as taxas estimadas de homicídio variaram de 2,0 a 87,2 mortes por 100 mil habitantes, evidenciando grande desigualdade territorial nos indicadores de violência letal.
Segundo o Atlas da Violência, 46 municípios registraram taxas superiores a 40 homicídios por 100 mil habitantes. No outro extremo, 62 cidades apresentaram índices abaixo de 10 homicídios por 100 mil habitantes.
O estudo também aponta que 194 municípios ficaram abaixo da taxa nacional de referência, calculada em 23,4 homicídios por 100 mil habitantes. Esse dado indica que, apesar da concentração de casos em determinadas regiões e cidades, parte significativa dos municípios de médio e grande porte apresenta índices inferiores à média brasileira.
Um dos pontos centrais da metodologia do Atlas da Violência é o uso de estimativas para corrigir distorções nos dados oficiais. O estudo afirma que a piora na qualidade das estatísticas sobre mortes violentas, especialmente pelo aumento de óbitos classificados sem causa definida, pode ocultar parte dos homicídios registrados no país.
Por esse motivo, os pesquisadores trabalham com o conceito de homicídios estimados. Esse indicador soma os assassinatos oficialmente registrados à parcela de mortes violentas que podem ter sido classificadas de maneira imprecisa, especialmente quando há falhas na identificação da motivação do óbito ou problemas de integração entre os sistemas de segurança pública e saúde.
Esses casos são chamados pelo estudo de homicídios ocultos. Eles correspondem a mortes violentas que, por ausência de informações suficientes ou por limitações no registro, aparecem originalmente como mortes violentas por causa indeterminada, embora apresentem características compatíveis com homicídios.
Para identificar esses casos, os autores do Atlas utilizam técnicas de aprendizado de máquina. O modelo analisa probabilisticamente dados das vítimas, como idade, sexo, escolaridade e local de residência, além de circunstâncias da ocorrência, como instrumento utilizado e local do incidente.
Com base nesses padrões de vitimização letal, parte das mortes sem causa determinada é reclassificada como homicídio estimado. Por isso, a lista final das cidades com maiores índices considera essa metodologia ampliada, e não apenas os homicídios registrados oficialmente.
A divulgação dos dados reforça o peso do Nordeste nas estatísticas nacionais de violência letal em 2024, com destaque para Bahia e Ceará, que concentram a maior parte dos municípios entre as maiores taxas do país.



