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Justiça afasta prefeito de Cabedelo (PB) por suspeita de desvio de R$ 273 milhões

Investigação aponta esquema com fraudes em licitações e possível ligação entre gestão municipal, empresários e facção criminosa na região

Justiça afasta prefeito de Cabedelo (PB) por suspeita de desvio de R$ 273 milhões (Foto: Reprodução/TV Cabo Branco )

247 - O prefeito de Cabedelo (PB), Edvaldo Neto, foi afastado do cargo após ser alvo de uma operação que apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos que pode chegar a R$ 273 milhões. As informações foram divulgadas inicialmente pela Agência Estado, que detalhou os desdobramentos da investigação nesta terça-feira (14).

De acordo com as apurações, o caso envolve suspeitas de fraudes em processos licitatórios dentro da administração municipal. Os investigadores indicam que a estrutura da prefeitura teria sido utilizada para favorecer interesses ilícitos, com a participação de agentes públicos, empresários e integrantes de organização criminosa.

Antes de assumir o comando do Executivo municipal, Edvaldo Neto construiu carreira política no Legislativo local. Ele foi eleito vereador em 2020 pelo Republicanos e conseguiu a reeleição em 2024, desta vez pelo Avante. Posteriormente, ocupou a presidência da Câmara Municipal de Cabedelo. Na disputa pela prefeitura, venceu com 61% dos votos, superando o delegado da Polícia Civil Wallber Virgolino (PL).

Segundo os órgãos de investigação, há indícios de que a administração municipal teria sido infiltrada pela facção conhecida como “Tropa do Amigão”, apontada como um braço do Comando Vermelho na região. A suspeita é de que tenha sido formado um “consórcio político-criminoso”, no qual contratos públicos seriam utilizados como instrumento de poder, financiamento e controle territorial.

Ainda conforme as investigações, o esquema operaria por meio da empresa Lemon Terceirização e Serviços Ltda., que teria sido usada para inserir pessoas indicadas pela facção na estrutura da prefeitura. As contratações seriam direcionadas, e os recursos públicos desviados sob a justificativa de pagamento de mão de obra.

Os investigadores também apontam a existência de um sistema de troca entre o grupo criminoso e a gestão municipal. Nesse modelo, haveria oferta de apoio territorial e garantia de estabilidade política em troca de cargos e contratos dentro da administração pública. A empresa citada não havia se manifestado até o momento, e o espaço segue aberto para posicionamento.