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      Crédito rural sustentável acelera no Nordeste com a força do BNDES e do BNB

      Orçamento recorde, linhas verdes e custeio rotativo impulsionam Pronaf, energia solar e armazenagem; inclusão produtiva cresce com Agroamigo e FNE

      (Foto: Agência Brasil )
      Paulo Emilio avatar
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      Por Paulo Emílio, 247 - O crédito rural sustentável ganhou tração inédita no Nordeste com a combinação estratégica entre a escala nacional do BNDES e o foco regional do Banco do Nordeste (BNB). Essa parceria tem revolucionado o financiamento agrícola na região, estabelecendo um novo patamar de investimentos e inclusão produtiva.

      No atual ciclo, o BNDES reservou R$ 70 bilhões para o Plano Safra 2025/2026, volume 5% superior ao período anterior e o maior da história do banco. Desse montante, R$ 532 milhões foram destinados exclusivamente para a agricultura familiar no Norte e Nordeste, complementados por R$ 30,3 bilhões em recursos próprios via BNDES Crédito Rural.

      Paralelamente, o BNB aplicou R$ 67 bilhões entre 2021 e 2024 nos setores de agricultura familiar e empresarial, beneficiando aproximadamente 2,6 milhões de operações. O banco contratou mais de R$ 16 bilhões pelo Pronaf no biênio 2023–2024, acumulando quase R$ 14 bilhões adicionais até junho de 2025.

      "O sistema de fomento desempenha um papel fundamental no desenvolvimento dos estados onde o banco atua, promovendo a melhoria da renda das famílias e fortalecendo a competitividade das empresas locais", afirma Luiz Sérgio Farias Machado, superintendente de Agronegócio e Microfinança Rural do BNB. "Nossa proposta de valor para o segmento rural contempla programas voltados ao desenvolvimento, à sustentabilidade e à inovação, além da oferta de soluções financeiras abrangentes."

      Esse arranjo institucional se apoia no Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), criado pela Constituição e regulamentado pela Lei 7.827/1989, operado pelo BNB para impulsionar investimentos produtivos, reduzir desigualdades e gerar renda nos nove estados nordestinos e em áreas do Norte de Minas e do Espírito Santo.

      Escala nacional e capilaridade regional

      O BNDES estrutura sua atuação através dos Programas Agropecuários do Governo Federal (PAGFs), incluindo Moderfrota, Pronamp, Renovagro, Inovagro, Prodecoop e PCA, além do Pronaf. Do pacote de R$ 70 bilhões do Plano Safra 2025/2026, R$ 39,7 bilhões são recursos equalizáveis distribuídos entre R$ 26,3 bilhões à agricultura empresarial e R$ 13,4 bilhões à agricultura familiar.

      No BNB, o FNE financia investimento, custeio e comercialização. O banco lidera o Pronaf em sua área de atuação e opera o microcrédito rural orientado via Agroamigo, que registrava, em dezembro de 2024, mais de 1,6 milhão de clientes com operação ativa.

      Uma inovação importante é o Planta Nordeste, um custeio rotativo com renovação automática por safra que agiliza o acesso ao crédito e reduz a burocracia para agricultores familiares e empresariais.

      Sustentabilidade e tecnologia transformam o campo

      A carteira sustentável do BNB inclui o FNE Sol (micro e minigeração renovável no meio rural), que reduz custos de energia e emissões, além do FNE Verde/ABC para práticas de agropecuária de baixo carbono, recuperação ambiental e sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).

      O banco tem intensificado a atuação por meio do apoio à produção resiliente, especialmente em áreas de convivência com o semiárido, mediante crédito verde voltado ao financiamento de práticas sustentáveis no campo. A incorporação da agenda ESG (ambiental, social e de governança) ao planejamento estratégico reforça o apoio à sustentabilidade na agropecuária nordestina.

      No âmbito federal, o BNDES promove a difusão tecnológica e a descarbonização com linhas específicas para máquinas, inovação e agricultura 4.0, integradas aos PAGFs e ao BNDES Crédito Rural.

      Gargalo da armazenagem demanda investimentos

      A pós-colheita permanece como um desafio crítico: com capacidade nacional de 227,1 milhões de toneladas, segundo dados do IBGE do 2º semestre de 2024, e distribuição regional desigual. Nesse contexto, o BNDES aprovou R$ 216,6 milhões (Plano Safra 2024/25) para projetos no Paraná, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais por meio do PCA e do Finem. Regionalmente, o BNB destinou cerca de R$ 3 bilhões à armazenagem nos últimos quatro anos em sua área de atuação.

      Lavoura de milho
      Lavoura de milho (Photo: Dan Koeck / Reuters)Dan Koeck / Reuters

      O Programa PCA, destinado ao financiamento a produtores e cooperativas rurais para ampliação, modernização, reforma e construção de armazéns e câmaras frias, aprovou R$ 5,2 bilhões para cerca de 1,5 mil operações no período de 2021 a 2024. Deste montante, foram destinados ao Nordeste R$ 175 milhões para 42 operações.


      Impacto socioeconômico expressivo

      Com apenas 9% da rede bancária instalada em sua área de atuação, o BNB responde por 48% do crédito rural e 50% dos financiamentos no Nordeste. Na agricultura familiar, sua participação alcança 70% dos recursos e 95% das operações do último Plano Safra no recorte regional.

      Para 2024/2025, avaliações do ETENE, escritório de estudos do BNB, estimam 309 mil empregos gerados ou preservados, R$ 5 bilhões a mais na massa salarial, R$ 1,2 bilhão em arrecadação e R$ 25,4 bilhões no valor bruto da produção a partir de R$ 22,7 bilhões aplicados.

      No período 2021–2024, o BNB distribuiu R$ 25,1 bilhões à agricultura familiar (37%), R$ 14,5 bilhões a pequenos e miniprodutores (22%) e R$ 27 bilhões a pequenos-médios, médios e grandes (41%). Essa distribuição reforça a inclusão produtiva e a transição tecnológica no semiárido.

      Cooperativas fortalecem interiorização do crédito

      As cooperativas de produção ganham protagonismo em ambas as instituições. No BNB, contam com o FNE Coopera, financiado exclusivamente com recursos do FNE. No BNDES, a rede de repasses envolve mais de 80 instituições financeiras parceiras, incluindo bancos cooperativos e cooperativas de crédito, ampliando a interiorização e a concorrência bancária.

      As aprovações do BNDES para o setor agropecuário entre 2021 e 2024 totalizaram R$ 141,2 bilhões, representando crescimento de 157% no período: R$ 20,3 bilhões em 2021, R$ 27,1 bilhões em 2022, R$ 41,5 bilhões em 2023 e R$ 52,3 bilhões em 2024. Desses recursos, 91% foram destinados a produtores rurais e cooperativas de porte micro, pequeno e médio, com faturamento anual de até R$ 300 milhões.

      O número de operações aprovadas pelo BNDES apresentou crescimento de 97% em quatro anos: 96,9 mil em 2021, 119,3 mil em 2022, 149,4 mil em 2023 e 191,2 mil em 2024, totalizando 557 mil operações. Dessas, 99% foram destinadas a produtores de menor porte.

      Comparando biênios, foram aprovadas 216,2 mil operações em 2021/2022, contra 340,6 mil em 2023/2024, alta de 57%. No primeiro semestre de 2025, foram registradas 71 mil operações, resultado 18% acima do registrado no mesmo período de 2024.

      As aprovações do BNDES para cooperativas de produção entre 2021 e 2024 somaram R$ 2,9 bilhões em aproximadamente 351 operações. Comparando os biênios 2021/2022 e 2023/2024, houve crescimento de 90% no volume de aprovações (de R$ 1 bilhão para R$ 1,9 bilhões).

      No primeiro semestre de 2025, o BNDES aprovou R$ 17 bilhões em operações para o agronegócio, volume 20% superior ao mesmo período do ano anterior. Desse total, 96,2% beneficiaram micro, pequenos e médios produtores e cooperativas.

      Resiliência diante de choques externos

      Quanto aos choques externos, como oscilações e tarifas no comércio internacional, o BNB avalia que os impactos diretos tendem a ser limitados nas carteiras operadas pelo banco, devido à ênfase no mercado interno e em cadeias regionais, especialmente a pecuária. Para os pequenos produtores, o banco fortalece o Programa Brasil Soberano, que busca ampliar a autonomia produtiva e a segurança alimentar.

      Transformações práticas no cotidiano rural

      No dia a dia, as mudanças se materializam através de iniciativas concretas. A energia limpa nas fazendas permitem que produtores financiem painéis solares e usinas de pequeno porte pelo FNE Sol, reduzindo custos energéticos e tornando a produção mais previsível no semiárido.

      O custeio se concretiza através do Planta Nordeste do BNB, que permite renovar automaticamente o custeio a cada safra, eliminando tempo e procedimentos desnecessários. Já a armazenagem estratégica se fortalece com o PCA do BNDES, que acelera a construção e modernização de silos e câmaras frias, fundamental para reduzir perdas e otimizar janelas de comercialização.

      Ecossistema integrado transforma o semiárido

      A combinação do FNE, com missão regional e social, ao BNDES, com escala e instrumentos de investimento e garantia, consolida um ecossistema robusto de crédito rural sustentável no Nordeste. Essa agenda integra inovação, energia limpa, irrigação eficiente e armazenagem, elevando produtividade, renda e resiliência climática, reconfigurando definitivamente as condições de produzir no semiárido brasileiro.

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