‘Quem defende a família defende o fim da escala 6x1’, afirma José Guimarães
A proposta que muda jornadas de trabalho pode alcançar diretamente quase 40 milhões de pessoas no Brasil, apontaram estimativas do governo
247 - O ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, defendeu neste sábado (9) o projeto que prevê o fim da escala 6x1 no Brasil. A proposta pode alcançar diretamente 37,2 milhões de trabalhadores que fazem jornada de 44 horas semanais, informou o governo federal. Além de acabar com a jornada em que a pessoa trabalha seis dias e descansa um, a pauta mantém a flexibilidade de escalas como 12hx36h por acordo coletivo, respeitada a média de 40 horas por semana.
“Há inúmeros argumentos econômicos para defender o fim da escala 6x1, mas o maior ganho não será medido com a produtividade do trabalhador. O maior ganho será o tempo a mais com os filhos e com aqueles que a gente ama. Quem defende a família defende o fim da escala 6x1”, escreveu Guimarães na rede social X.
Em sua postagem, o ministro citou um exemplo de uma família que pode ser beneficiada com a proposta. “Acabar com a escala 6x1 é dar mais tempo para a mãe ‘guerreira’ da pequena Ana Luísa ficar com a família, ir na festinha do Dia das Mães na escola, cuidar dos seus”, afirmou.
Mais detalhes
O governo lançou em 3 de maio a campanha pelo fim da escala de trabalho 6x1. Em 13 de abril, o presidente Lula assinou uma mensagem do projeto que reduz o limite da jornada de trabalho. A mensagem foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União.
O fim da escala 6x1 pode alcançar diretamente 37,2 milhões de trabalhadores que fazem jornada de 44 horas semanais. De acordo com o governo, o País tem ao menos 26,3 milhões que não recebem horas extras remuneradas, 14,8 milhões que fazem escala 6x1 e 1,4 milhão de domésticas também com a escala 6x1. Os números são do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), do ano de 2026, e do Sebrae, em 2024.
Conforme dados citados pelo governo, o alcance da medida supera o impacto da isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês, que beneficiou cerca de 10 milhões de pessoas. As informações também incluem levantamentos do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), de 2026, do Sebrae, de 2024, e nota técnica do Ipea publicada em fevereiro deste ano.
Micro e pequenos empresários
Pesquisa do Sebrae realizada entre 19 de fevereiro e 6 de março mostrou que 91% dos micro e pequenos empresários conhecem a proposta. O levantamento também apontou que 46% avaliam que as mudanças não impactam o negócio em 2026.
Nota técnica do Ipea indicou que os custos de uma eventual redução da jornada para 40 horas semanais seriam semelhantes aos impactos observados em reajustes históricos do salário mínimo no Brasil.
Em setores como indústria e comércio, que reúnem mais de 13 milhões de trabalhadores, o impacto direto da redução da jornada para 40 horas ficaria abaixo de 1% do custo operacional. O estudo aponta que a maior parte dos setores produtivos tem capacidade de absorver a mudança, embora alguns segmentos exijam atenção específica.
Experiência internacional e impacto nas empresas
O governo afirmou que o projeto aproxima o Brasil de mudanças já adotadas ou testadas em outros países. O Chile aprovou a redução gradual da jornada de 45 para 40 horas semanais até 2029. A Colômbia reduz a carga de 48 para 42 horas até o fim de 2026.
Na Europa, jornadas de 40 horas ou menos já predominam. A França adota 35 horas semanais desde os anos 2000, enquanto Alemanha e Holanda operam, na prática, com médias inferiores a 40 horas.
Experiências na Islândia, Reino Unido, Portugal, Nova Zelândia e Japão registraram queda de burnout, redução de estresse e ansiedade, melhora da saúde física e mental, mais equilíbrio entre vida pessoal e trabalho e aumento da satisfação profissional.
No setor empresarial, Reino Unido, Portugal e Islândia registraram produtividade mantida ou ampliada, estabilidade ou crescimento de receitas e queda na rotatividade de funcionários. A maioria das empresas manteve o novo regime após os testes, segundo pesquisa publicada no Journal of Economy and Society em 2022.


