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'Nossas regiões disseram sim à integração para uma zona de livre comércio', diz Lula na Alemanha

Presidente destaca acordo Mercosul-UE e defende cooperação econômica, ambiental e tecnológica entre os blocos

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Declaração conjunta à imprensa. Palácio de Herrenhause, Alemanha. (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta segunda-feira (20), que o acordo entre Mercosul e União Europeia inaugura uma nova fase de integração econômica, com a criação de uma zona de livre comércio e ampliação da cooperação estratégica entre os blocos. Segundo ele, o entendimento fortalece áreas como energia, inovação e clima, além de consolidar o papel do Brasil e da Alemanha na promoção do multilateralismo.

As declarações foram feitas após reunião com o chanceler alemão Friedrich Merz, em Hanôver, conforme informações divulgadas pela Agência Gov, com base em dados do Palácio do Planalto. O acordo entra em vigor em 1º de maio e encerra um processo de negociações que se estendeu por 25 anos.

Durante a declaração à imprensa, Lula destacou o caráter amplo da parceria entre os blocos. “A entrada em vigor do Acordo Mercosul-União Europeia, no dia 1º de maio, abre espaço para uma parceria abrangente, que vai muito além do livre comércio. Estamos falando de um modelo de cooperação que valoriza e protege os trabalhadores, os direitos humanos e o meio ambiente”, afirmou.

O presidente também ressaltou a dimensão econômica do pacto. “Depois de 25 anos de negociações, nossas regiões disseram sim à integração para criar uma zona de livre comércio que reúne 720 milhões de pessoas e que soma um PIB de 22 trilhões de dólares”, declarou.

Cooperação ampliada e agenda estratégica

A visita oficial à Alemanha incluiu participação de Lula na Feira Industrial de Hanôver, além de encontros bilaterais e reuniões intergovernamentais. Os compromissos resultaram em avanços em setores considerados estratégicos, como defesa, inteligência artificial, economia circular, infraestrutura sustentável e energias renováveis.

O chanceler Friedrich Merz também celebrou o acordo e destacou o papel conjunto dos dois países. “Fizemos parte daquele grupo que realmente insistiu que o acordo entrasse em vigor, então foi um êxito em comum. Entrando em vigor, vai fomentar cada vez mais a nossa cooperação na área de tecnologia, inteligência artificial, economia circular, agricultura, energia”, disse.

Merz afirmou ainda que Alemanha e Brasil pretendem ampliar vínculos econômicos e reduzir entraves comerciais. “Para isso, definimos um catálogo de medidas e decidimos retomar as negociações em prol de um acordo para evitar tributação dupla e fortalecemos as nossas relações econômicas”, declarou.

Críticas a medidas unilaterais e defesa do multilateralismo

Em seu discurso, Lula também fez críticas a políticas adotadas pela União Europeia que, segundo ele, podem comprometer o equilíbrio do acordo. “É legítimo impulsionar políticas de descarbonização, preservação ambiental e desenvolvimento industrial. Mas não é correto adotar métricas que não são fidedignas à realidade, nem compatíveis com regras multilaterais. Não há como vencer o unilateralismo com mais unilateralismo”, afirmou.

O presidente defendeu a necessidade de fortalecer o sistema multilateral diante de um cenário global instável. “Somente um multilateralismo revigorado pode restabelecer a diplomacia e a cooperação como ferramentas para a paz e o desenvolvimento sustentável”, disse.

Investimentos, clima e energia

Lula destacou o potencial da relação econômica com a Alemanha, que é o quarto maior parceiro comercial do Brasil. Segundo ele, o intercâmbio entre os países alcança cerca de US$ 21 bilhões, com estoque de investimentos superior a US$ 40 bilhões.

Na agenda climática, o presidente mencionou metas brasileiras e cooperação bilateral. “Até agora, já reduzimos em 50% os índices de desmatamento na Amazônia e em 32% no Cerrado”, afirmou, ao citar também a parceria com a Alemanha no Fundo Amazônia.

Ele anunciou ainda novos aportes alemães em iniciativas ambientais. “Hoje, confirmou a contribuição de quinhentos milhões de euros ao Fundo Clima”, declarou.

No setor energético, Lula defendeu maior diversificação e criticou resistências europeias aos biocombustíveis. “Não existe segurança energética sem diversificação. A recente alta nos preços do petróleo mostra que está mais do que na hora de a Europa superar sua resistência ideológica aos biocombustíveis”, afirmou.

Tecnologia, defesa e soberania digital

O presidente também destacou iniciativas conjuntas em tecnologia e defesa, incluindo a construção de fragatas da classe Tamandaré. “Um consórcio binacional está construindo quatro fragatas da classe ‘Tamandaré’, para entrega até 2028. Aqui em Hanôver, avançamos nas tratativas para a aquisição de mais quatro unidades”, disse.

Na área digital, Lula defendeu o fortalecimento da soberania tecnológica. “Não queremos mais permanecer dependentes de empresas estrangeiras que enriquecem às custas dos dados de nossos cidadãos, sem garantias de privacidade e segurança”, afirmou.

Ele ressaltou ainda a convergência entre Brasil e Alemanha na regulação da inteligência artificial e no desenvolvimento de infraestrutura digital.

Contexto internacional e parceria estratégica

Ao comentar o cenário global, o chanceler alemão destacou a relevância da relação bilateral. “Com o Brasil, temos uma parceria estratégica robusta e dinâmica e conseguimos fomentar essa parceria nesses últimos dias. Essa proximidade é mais importante do que nunca, nesses tempos de tanta mudança na ordem mundial”, afirmou.

Lula também defendeu a reforma do Conselho de Segurança da ONU, apontando limitações atuais do organismo. “Entre a ação dos que provocam guerras e a omissão dos que preferem se calar, a ONU está mais uma vez paralisada”, declarou.

O acordo Mercosul-União Europeia passa a vigorar em 1º de maio, marcando um novo capítulo nas relações entre os dois blocos, com expectativa de ampliação do comércio e da cooperação em múltiplas áreas estratégicas.

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