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Amazon compra Globalstar por US$ 11,6 bilhões e amplia disputa com Starlink

Aquisição fortalece estratégia de satélites da empresa de tecnologia e abre caminho para expansão de serviços de conectividade global

Um foguete Atlas V da United Launch Alliance decola transportando os satélites da rede de internet Project Kuiper da Amazon, da Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, em Cabo Canaveral, Flórida, EUA, em 28 de abril de 2025. (Foto: REUTERS/Steve Nesius)

247 - A Amazon anunciou a compra da Globalstar por US$ 11,6 bilhões (cerca de R$ 57,83 bilhões), em um movimento estratégico para reforçar sua atuação no mercado de conectividade via satélite. As informações foram divulgadas inicialmente pelo jornal Financial Times, que antecipou as negociações entre as companhias.

O acordo, confirmado nesta terça-feira (14), coloca a gigante americana em rota de colisão mais direta com a Starlink, operação da SpaceX liderada por Elon Musk, atualmente dominante no setor. A aquisição está entre as maiores já realizadas pela Amazon e reforça a ambição da empresa de liderar o segmento de internet via satélite.

Segundo Panos Panay, vice-presidente sênior de dispositivos e serviços da companhia, a integração das operações deve trazer ganhos diretos para os consumidores. “Ao combinar a experiência comprovada e a base sólida da Globalstar com a obsessão pelo cliente e a inovação da Amazon, os clientes podem esperar um serviço mais rápido e confiável em mais lugares”, afirmou.

Como parte da operação, a Amazon informou que oferecerá US$ 90 por ação da Globalstar ou a conversão equivalente em ações da própria empresa, condicionada a requisitos adicionais. A expectativa é que a transação seja concluída ao longo do próximo ano.

Fundada em 1991, a Globalstar garante à Amazon acesso imediato ao espectro de radiofrequência, um ativo essencial para o desenvolvimento de serviços de comunicação direta entre satélites e dispositivos móveis (D2D). Esse tipo de tecnologia permite conexão mesmo fora da cobertura de redes terrestres — um serviço já explorado pela Starlink.

A negociação também envolveu a participação da Apple, que detém cerca de 20% da Globalstar. Pelo acordo, a Amazon se comprometeu a manter suporte ao serviço de comunicação via satélite utilizado em dispositivos como iPhone e Apple Watch, incluindo funcionalidades como o SOS de emergência.

Apesar de já contar com mais de 200 satélites em órbita, a Amazon ainda está distante da escala da SpaceX, que opera mais de 10 mil unidades ativas. O atraso na expansão da rede levou a empresa a solicitar, em fevereiro, uma prorrogação de dois anos junto à Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos para cumprir metas de lançamento.

A companhia projeta alcançar cerca de 700 satélites em operação até meados deste ano, mas enfrenta limitações relacionadas à capacidade de lançamento. Mesmo assim, segue avançando em parcerias estratégicas, como os contratos firmados com a JetBlue e a Delta Air Lines, que devem oferecer internet em voos a partir de 2027 e 2028, respectivamente.

O CEO da Amazon, Andy Jassy, já havia sinalizado a importância do segmento de satélites para o crescimento da empresa, classificando a iniciativa como parte de um conjunto de “oportunidades incrementais” com potencial de expansão.

Do ponto de vista financeiro, a Globalstar apresentou receita anual de US$ 273 milhões em seus resultados mais recentes, crescimento de 9% em relação ao ano anterior. A empresa também registrou recuperação operacional, com lucro de US$ 7,4 milhões em 2025 após prejuízo no período anterior.

A aquisição se posiciona entre as maiores da história da Amazon, superando a compra do estúdio MGM em 2021, avaliada em US$ 8,45 bilhões, mas ainda abaixo da aquisição da rede Whole Foods, concluída em 2017 por US$ 13,7 bilhões.