Amazon compra Globalstar por US$ 11,6 bilhões e amplia disputa com Starlink
Aquisição fortalece estratégia de satélites da empresa de tecnologia e abre caminho para expansão de serviços de conectividade global
247 - A Amazon anunciou a compra da Globalstar por US$ 11,6 bilhões (cerca de R$ 57,83 bilhões), em um movimento estratégico para reforçar sua atuação no mercado de conectividade via satélite. As informações foram divulgadas inicialmente pelo jornal Financial Times, que antecipou as negociações entre as companhias.
O acordo, confirmado nesta terça-feira (14), coloca a gigante americana em rota de colisão mais direta com a Starlink, operação da SpaceX liderada por Elon Musk, atualmente dominante no setor. A aquisição está entre as maiores já realizadas pela Amazon e reforça a ambição da empresa de liderar o segmento de internet via satélite.
Segundo Panos Panay, vice-presidente sênior de dispositivos e serviços da companhia, a integração das operações deve trazer ganhos diretos para os consumidores. “Ao combinar a experiência comprovada e a base sólida da Globalstar com a obsessão pelo cliente e a inovação da Amazon, os clientes podem esperar um serviço mais rápido e confiável em mais lugares”, afirmou.
Como parte da operação, a Amazon informou que oferecerá US$ 90 por ação da Globalstar ou a conversão equivalente em ações da própria empresa, condicionada a requisitos adicionais. A expectativa é que a transação seja concluída ao longo do próximo ano.
Fundada em 1991, a Globalstar garante à Amazon acesso imediato ao espectro de radiofrequência, um ativo essencial para o desenvolvimento de serviços de comunicação direta entre satélites e dispositivos móveis (D2D). Esse tipo de tecnologia permite conexão mesmo fora da cobertura de redes terrestres — um serviço já explorado pela Starlink.
A negociação também envolveu a participação da Apple, que detém cerca de 20% da Globalstar. Pelo acordo, a Amazon se comprometeu a manter suporte ao serviço de comunicação via satélite utilizado em dispositivos como iPhone e Apple Watch, incluindo funcionalidades como o SOS de emergência.
Apesar de já contar com mais de 200 satélites em órbita, a Amazon ainda está distante da escala da SpaceX, que opera mais de 10 mil unidades ativas. O atraso na expansão da rede levou a empresa a solicitar, em fevereiro, uma prorrogação de dois anos junto à Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos para cumprir metas de lançamento.
A companhia projeta alcançar cerca de 700 satélites em operação até meados deste ano, mas enfrenta limitações relacionadas à capacidade de lançamento. Mesmo assim, segue avançando em parcerias estratégicas, como os contratos firmados com a JetBlue e a Delta Air Lines, que devem oferecer internet em voos a partir de 2027 e 2028, respectivamente.
O CEO da Amazon, Andy Jassy, já havia sinalizado a importância do segmento de satélites para o crescimento da empresa, classificando a iniciativa como parte de um conjunto de “oportunidades incrementais” com potencial de expansão.
Do ponto de vista financeiro, a Globalstar apresentou receita anual de US$ 273 milhões em seus resultados mais recentes, crescimento de 9% em relação ao ano anterior. A empresa também registrou recuperação operacional, com lucro de US$ 7,4 milhões em 2025 após prejuízo no período anterior.
A aquisição se posiciona entre as maiores da história da Amazon, superando a compra do estúdio MGM em 2021, avaliada em US$ 8,45 bilhões, mas ainda abaixo da aquisição da rede Whole Foods, concluída em 2017 por US$ 13,7 bilhões.