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Pedro Sanchez condena ataques ao Irã e diz que Trump faz “roleta russa” com destino de milhões

Premiê espanhol critica ameaças comerciais dos EUA e rejeita apoio a ataques contra o Irã, classificando ofensiva como imprudente e ilegal

Pedro Sánchez, 23 de janeiro de 2026 (Foto: REUTERS/Yves Herman)

247 - O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está “brincando de roleta russa” com o destino de milhões de pessoas ao intensificar tensões relacionadas ao conflito com o Irã. Em pronunciamento nacional televisionado nesta quarta-feira (4), o líder espanhol criticou a postura de Washington e reiterou que seu país não participará de ações militares contra Teerã.

A declaração ocorreu após Trump ameaçar romper relações comerciais com a Espanha, depois de o governo espanhol negar autorização para que os Estados Unidos utilizassem bases militares no território espanhol em operações contra o Irã.

Durante o discurso, Sánchez alertou para os riscos de escalada militar e disse que decisões desse tipo podem provocar consequências globais graves. “É assim que começam as grandes catástrofes da humanidade. Você não pode jogar roleta russa com o destino de milhões”, afirmou o premiê espanhol ao comentar a postura do presidente dos Estados Unidos.

Escalada de tensão entre Espanha e Estados Unidos

A crise diplomática entre os dois países se intensificou após Sánchez classificar como imprudentes e ilegais os bombardeios realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã. Como reação, o governo espanhol decidiu impedir que aeronaves militares norte-americanas utilizem bases navais e aéreas localizadas no sul da Espanha para operações relacionadas aos ataques.

A Espanha e os Estados Unidos são aliados dentro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), mas a divergência sobre o conflito no Oriente Médio elevou o nível de tensão entre os governos.

No pronunciamento, Sánchez também reforçou a posição contrária do governo espanhol à guerra e defendeu soluções diplomáticas para os conflitos internacionais. “A posição do governo espanhol pode ser resumida em quatro palavras: ‘Não à guerra’. Não vamos ser cúmplices de algo que é ruim para o mundo nem contrário aos nossos valores e interesses simplesmente para evitar represálias de alguém”, declarou.

União Europeia manifesta apoio à Espanha

Ainda nesta quarta-feira, a Comissão Europeia se posicionou em defesa do governo espanhol, afirmando que está preparada para proteger os interesses da União Europeia diante das ameaças feitas por Washington.

Sánchez também utilizou como exemplo as consequências da Guerra do Iraque para justificar sua preocupação com a atual escalada militar. Segundo ele, o conflito iniciado em 2003 trouxe efeitos duradouros e negativos, como o aumento do terrorismo jihadista e a elevação dos preços da energia.

Para o premiê, os impactos de uma ofensiva contra o Irã são igualmente imprevisíveis e não garantem a construção de uma ordem internacional mais justa.

Ameaça de rompimento comercial

A tensão aumentou após declarações de Donald Trump na terça-feira (3), quando o presidente dos Estados Unidos afirmou que pretende interromper relações comerciais com a Espanha. A fala ocorreu durante entrevista concedida na Casa Branca enquanto Trump recebia o primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz.

Na ocasião, o líder norte-americano criticou a decisão espanhola de impedir o uso das bases militares. “A Espanha tem sido terrível. Na verdade, eu disse ao Scott [Bessent, secretário do Tesouro] para cortar todas as relações com a Espanha. A Espanha chegou a dizer que não podemos usar as bases deles. E tudo bem. Podemos usar a base deles se quisermos. Podemos simplesmente entrar voando e usá-la. Ninguém vai nos dizer que não podemos usá-la”, afirmou Trump.

 

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